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Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Especial: Na hora do chá

Cinco dias após ter instalado um contador de visitas no Sob o Signo das Letras, ao qual dei o nome de Curiosos, venho aqui agradecer-vos a visita na inauguração.
Trata-se de um blog novo, inserido num já saturado mundo de blogs e, de tal facto, que uma visita que seja, é sempre positivo!


Esta é a imagem que comprova o sucesso do Signo das Letras!
Obrigado!

Poema VIII - E foi-se tudo

Foram dias,
Foram dias e dias,
Foram sóis sem alegrias,
Tu possuías-me...
Tu não sabias.

Foram noites,
Foram luas,
Estrelas a fazer das suas,
Projectando em minha memória
Características tuas.

Foram montes,
Foram mares
Que movi só para me amares.
Suei suores frios,
Sofri só para me amares!

Foram galáxias,
Foram planetas,
Foi-se o Universo e os cometas.
Desapareceram quando tos dei
Pois para ti foram tretas.

Bruno Torrão
98/06/14




A dura e eterna sensação de que, por mais que dê tudo o que possa, no fim, não passa de esforço sem recompensa...

Estrelas Sugestiva I e II

Este espaço dedico-o aos sons que me sugerem a escrita.

Na primeira semana (11 a 17 de Janeiro) dei-vos a conhecer Segue a minha voz, do meu amigo Gonçalo Salgueiro. É o seu segundo álbum, e não é pior que o primeiro (No tempo das cerejas) que, já por si, é fantástico!
Deste álbum sugiro, dentro das novidades, Voz do escuro, Canta coração, No te quiero, porém, todo o álbum é bastante bom de ouvido... E uma excelnte acendalha à poesia!

Esta semana, que terminará a 24, deixo-vos uma dupla canadiana que, embora pouco "famosa" já tem uma vida artística bastante louvável, porém, cada um a solo. Alias & Tarsier.
Brookland / Oaklin é o primeiro álbum em conjunto e, a ver por este, dá-se razão ao mote "Duas cabeças pensam melhor que uma", neste caso, criam!
Como faixas sugestão, fiquem com estas: Cub, Last Nail, Dr.C e Plane That Draws a White Line.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Outros III - José Carlos Ary dos Santos

Da minha torre de Narciso


Ao sol, ao vento, à música, levanto
Esta voz que não tenho. A Deus imponho
A obrigação de me escutar o canto
E entender o que digo e o que sonho.

A mim me desafio. Aos outros ponho
A condição de me odiarem tanto
Que não descubram nunca o que suponho
O meu secreto e decisivo encanto.

Contra o que sou me guardo e quando oiço
Falar do que pareço, posso então
Encher o peito de desprezo e riso.

Pois só eu me conheço e só eu posso
Subir até àquela solidão
Onde me incenso, amo e realizo.






Era, de todo, inadmíssivel se, depois de deixar aqui poemas da Florbela e da Amália, não vos delicia-se com um dos meus predilecto poetas. José Carlos Ary dos Santos.
O génio das mais de mil letras da música popular portuguesa, comunista e homossexual (mais que) assumido, conseguiu, apesar da repressão da época, desviar-se da voraz PIDE e da Ditadura Salazarista! Ainda há quem não o considere génio...?

Poema VII - Do sonho à realidade

A Cláudia Pereira


Se o sonho acabar,
A morte há-de chegar,
Mas há um caminho para escapar;
Seres tu a amar!

Se o sonho acabar
Passa a ser realidade,
Cada um de nós a amar
Para toda eternidade!

Se o sonho se realizar,
E eu acredito que sim,
Sempre te irei amar,
E espero que o faças a mim!

Não morro de amor,
Mas sofro por ele,
Da saudade do teu calor
Se um minuto passar sem ele!

Bruno Torrão
98/02/09




Mais uma busca pela felicidade, neste caso, em termos amorosos. E, tal como o Vera, já não sou eu, mas fui!
E, neste caso, até há uma história engraçada. A irmã da visada no poema estava apaixonada por mim, e a própria Cláudia, dois ou três anos mais tarde, acabou por namorar com o meu irmão... Que novelas!!

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Poemas VI - Dei-te (para nada)

Dei-te tudo o que podia
Porquê, não sei.
Dei-te tudo o que tinha
Dei-te a vida
Meu coração
Meu amor
Porquê? Talvez p'ra te ter.

Dei-te tudo o que podia
Porquê? Já sei,
P'ra te ter
Quando?, não sei,
Mas sei que te vou ter
Nem que tenha de morrer.

Dei-te tudo o que podia
Porquê?
P'ra te ter,
Quando?
Um dia
O quê?
A alegria.

Bruno Torrão
97/06/16




Sem dúvida alguma, um dos aspectos quase sempre presentes na minha obra, e bem denotado neste poema, é a busca pela alegria, pela harmonia... É esta a identificação do meu ego-poetis.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Poema V - Solidão

Entrei num caminho,
Comecei a caminhar,
Senti-me sozinho,
Apeteceu-me gritar,

Gritei bem alto,
Mas sem ninguém ouvir,
Desci do planalto
Comecei-me a rir,

E ri, ri bem alto
Mas ninguém me ouviu,
Subi lá ao alto
E quis mergulhar no rio.

E mergulhei, no rio imundo,
Mas sem me molhar;
O rio era bem fundo
E quis-me matar.

Descobri então
Que nada satisfaz
A grande solidão
De um pobre rapaz!

Bruno Torrão
97/05/04




Este foi, durante muito tempo, um dos meus poemas preferidos... Felizmente, e modéstia à parte, já escrevo melhorzito! :P

Poema IV - Vera

Vera,
Se penso em ti
Coro,
Se falo em ti
Coro,
Se foges de mim
Choro,
Se te matas assim,
Morro!

Sem ti nada sou,
Sem ti pensar não sei,
Sem ti minha vida mudou,
Sem ti mais tarde morrerei.

Espero ser teu
Espero ter-te minha
Amar-te-ei até chegar ao céu
Desde que és minha vizinha

Contigo nunca falei
Comigo nunca falaste
Se por acaso eu te matei
Foste tu que me mataste

O meu coração é teu
Mas teu coração meu não é
Se teu coração é meu
Meu coração teu é

Amo-te
Amar-te-ei até morrer
Na eternidade vou-te amar
Até tu me amares também.

Teus lábios desejo
Para os beijar
Mais linda que tu não vejo
Até as "exs" deixei de amar

Se fores Eva, Adão serei
Se Dalila fores, Sansão vou ser
Se fores Inês, Pedro serei
Mesmo que te matem, morto quero ser

Bruno Torrão
23'Abril'1997




Estive a escassos pensamentos de não deixar este poema aqui... Porém, para além de ter prometido que os colocaria todos, este, apesar de já não ter nada a ver comigo, não deixa de ser o que já fui.
Por outro lado, é engraçado assistir à inocência da adolescência...

domingo, 14 de janeiro de 2007

Outros II - Florbela Espanca

Fumo


Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,

Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...




Por tê-la referido no post anterior, lembrei-me de vos dar a conhecer um dos seus poemas que elejo.

Poema III - Noite

Ó tu, que guardas segredos
Partilhados com a Lua
Com as estrelas, com a rua,
Trevas cheias de medo.

Ó tu, assim na escuridão
Com tristeza para dar,
Com ninguém para amar,
Sem vida, sem coração!

E eu, de ti tenho pena
Ao ver-te assim perdida
Dei-te a minha vida
Pois tu és pequena.

Afinal que queres tu?
Ser sol e raiar de alegria,
Ou ser lua em pleno dia?
Que queres tu?

Bruno Torrão




Das composições poéticas primordiais que tenho, esta é a última sem data, porém sei, no entanto, recorrendo à memória que referi no post Poema II - Morte, que foram ambos escritos na mesma noite.

Tanto um como o outro são capazes de dar um "arzinho" de Florbela Espanca. E é normal que assim seja! Desde muito cedo (refiro-me aos meus 11/12 anos) que me apaixonei com todas as letras por esta mulher. E é, sem dúvida, a minha mais duradoura paixão fora do meu elo familiar... E assim pretendo que continue a ser. Por algum motivo a considero como uma tágide quando me sinto Camões!