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Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Poema XXXI - Amizade... (a nossa)

Aos Amigos


Contaste-me os teus segredos,
Atraíste-me.
Contei-te os meus medos,
Não me traíste.

Segredaste ao meu ouvido,
Não espalhei.
Tu foste o meu abrigo
Onde um dia eu chorei.

Da tristeza me tiraste
Nesse melancólico dia,
E com prazer me mergulhaste
Nas tuas águas d'alegria.

A ti não te mentia
Mesmo que te ferisse com a verdade.
Não deixava passar um dia
Sem o dedicar à nossa amizade.

Bruno Torrão
99/11/12



Sagrados!
Ainda que alguns se tenham distanciado pelos caminhos da vida, tanto pelo que dei como pelo que me deram, não deixarão nunca de ser... Sagrados amigos! Valiosíssimos!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Poema XXX - Novamente para ti

A Florbela Espanca


Por vezes desejo morrer
Por nunca te ter conhecido.
Queria ter sido o teu menino querido,
A tua alegria de viver!

Quando à noite estou na rua,
Nostálgica, triste, sombria...
Estar contigo era o que queria,
Ver-te feliz à luz da Lua.

Olho para o céu.
Ai como brilha aquela estrela...
Sim, és tu, Florbela,
Iluminando o coração meu!

Emociono-me. "Vem"!
Grito de surdina;
És o ouro da minha mina,
No horizonte, a maior nuvem!

Não, não choro.
Tu não queres que chore, não!
Olho para o coração
Vejo-te a ti... Não morro!

Bruno Torrão
99/11/04

Especial: Na Hora do Chá III

Foi registado hoje, por volta das 03h42m, a 100ª visita, segundo o contador da Blogpatrol.

É, ou não, motivo de festa?

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Outros IV - Frederico Valério

Não sei por que te foste embora


Não sei por que te foste embora.
Não sei que mal te fiz, que importa,
Só sei que o dia corre e àquela hora,
Não sei por que não vens bater-me à porta.

Não sei se gostas de outra agora,
Se eu estou ou não para ti já morta.
Não sei, não sei nem me interessa,
Não me sais é da cabeça
Que não vê que eu te esqueci.
Não sei, não sei o que é isto
Já não gosto e não resisto
Não te quero e penso em ti.

Não quero este meu querer no peito,
Não quero esperar por ti nem espero.
Não quero que me queiras contrafeito,
Nem quero que tu saibas que eu te quero.

Depois de este meu querer desfeito,
Nem quero o teu amor sincero.
Não quero mais encontrar-te,
Nem ouvir-te nem falar-te,
Nem sentir o teu calor.

Porque eu não quero que vejas
Que este amor que não desejas
Só deseja o teu amor.





Escrito propositadamente para ser cantado pela Amália Rodrigues, este, é um dos meus fados predilectos...
E tanto que tenho cantado para mim... por ti...

Poema XXIX - O teu choro

Esta noite ela chorou
Sem ter qualquer tristeza
No coração que a abandonou,
Deixando-lhe a incerteza
Com que se inspirou
Na noite mais fria,
Resplandecente de beleza,
Para uma boa poesia.

Ela gemia...
Ela gritava,
Ninguém a socorria.
Ninguém a ajudava.

Chora; grita...
Eu oiço-te chorar
Nesta noite de lua cheia.
O teu choro é um cantar
Para uma pequena plateia
Que chora ao te ouvir cantar à luz da bela lua
Colocada lá no alto
Que deseja dar um salto
Para a solitária rua
Só tua.
Chora; grita!

Bruno Torrão
99/10/26

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Poema XXVIII - Fica comigo

A Renata B.

Sinto-me estranho, esquisito, saudoso...
Não sei a causa para tal sentido.
Parece infinito...doloroso,
Mas um bem tão bem querido.

Quero sentir o que sentia
Quando pensava que não tinha fim,
Aquela imensa, grande alegria
Que sentia ao ter-te ao pé de mim.

Felizmente ainda me sinto bem,
Mas... há algo diferente,
Como a Natureza faz também
Ao por uma nuvem tapando o sol quente.

Mana. Não te quero perder,
Nunca te quero ver de longe
Quero que contes comigo hoje
E amanhã, e o que depois vier.

Às vezes só me apetece estar contigo
E só contigo ficar.
É como se fosses o meu abrigo
Que me abriga do fogo que me quer queimar.

Bruno Torrão
99/10/25



A Renata foi uma das minhas melhores amigas. Mais do que adorá-la, tinha por ela um dos amores mais saudáveis! De tal modo que eu já tinha o convite para ser o padrinho do filho dela...

Mas a tacanhez, por vezes, leva as coisas demasiado longe. Não querendo esconder do marido a orientação sexual daquele que iria ser o padrinho do filho foi proíbida de estar comigo e, obviamente, o convite foi desmanchado...

Nunca mais soube nada da (verdadeira) Renata.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Poema XXVII - Entristecendo

Cai a gota da alegria...
Enche a rua escura
Numa noite de loucura...
Noite bela e fria!

Cai a gota da amargura.
Nasce o dia que pediste.
Em que o sol sobe triste
No horizonte que se procura.

Cai a gota da tristeza.
Desmascara o meu disfarce,
A lágrima caída da minha face
Inunda o copo sobre a mesa.

Cai a gota da fantasia,
Em seguida dum suspiro.
Penso agora num retiro
Para viver em alegria.

Cai a gota da verdade...
Estou de volta aos sentimentos.
Tento curar os ferimentos
Causados pela realidade.

Volto de novo a esse Mundo
Onde vivo em harmonia,
Procurando no dia-a-dia
O sonho mais profundo!

Bruno Torrão
99/10/22

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Poema XXVI - Amor sonhado

Esta noite eu chorei,
Mas não foi por triste me encontrar,
Foi na vida que eu pensei,
Na falta de sorte para amar.

Queria estar num sonho
Em que tudo é alegria,
Em que nada é medonho
E só de amor se viveria.

Quem me dera estar nesse Mundo
Onde o coração não fica ferido,
Onde pelo amor se vai ao fundo...
O Reino do Cupido!

Onde Afrodite está no olhar...
No beijo, uma certa arte.
Há um punhal que se levanta do Mar!
E que Vénus não o deixa matar-te.

Mas este sonho não me deixa dormir,
Tal como o amor não mo deixa sonhar.
Fica então um coração a ferir
Por ninguém o conseguir amar.

Bruno Torrão
99/10/11



E depois de tanto ano, esse mesmo sentimento...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Poema XXV - Em que penso

Aqui estou novamente
A pensar no que escrever,
No interior do meu quarto quente,
Sobre o que me faz rir ou sofrer.

Agarro então no meu caderno
Onde irei desabafar,
Penso em escrever sobre o Inverno
Mas está muito calor para nele pensar.

Sonho então que é Verão,
Num dia de sol e de alegria,
Mas estou triste. Agora não!
Tento amanhã, durante o dia.

Penso agora na Primavera.
De seguida no Outono.
Mas no fundo, quem me dera,
Estar mortinho de sono.

Sem mais nada para escrever,
Decido então em me ir deitar.
Só desejo poder ver
Quem agora estou a amar!

Bruno Torrão
99/10/10



Sobre o poema... nada digo.
Sobre a ausência... problemas atrás de problemas... Primeiro, uns "atrofios" com a ligação. Depois, um "atrofio" com o coração...

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Poema XXIV - Letras tímidas

Letras que me calam,
Que me suportam a timidez,
São versos que falam
Do que o poeta faz,
Do que o poeta fez.

Carregadas ao de leve
Como se nada soubessem,
Suaves como a neve,
Pesadas como a chuva,
Caindo das nuvens que d'alegria escurecem.

Letras que não falam,
Que se enchem de fantasia,
E da solidão se isolam
Nas linhas em que escrevo
A mais bela poesia.

Bruno Torrão
99/10/07





É este o poder pleno das palavras...