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Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

terça-feira, 6 de março de 2007

Poema XXXVII - O lago

Hoje eu me perdoo.
Da raiva que em mim guardo
Neste grande lago
E fundo
Tão largo como o mundo,
Imundo,
Sem fundo,
Feito de maldade,
Sem margem...
À margem da sociedade.
De betão não é a barragem...
É de falsidade
O cimento, cinzento
Ciumento,
É verdade.
Por lá não passa água
Só mágoa,
Saudade,
Tristeza,
Sem pureza
De se notar.
É difícil de aguentar
Sem que tenha de explodir
Sem que tenha de chorar
Gritar, enlouquecer...
Mas não sei o que mais faz doer.
Não sei o que realmente me vai ferir.
Vou guardá-lo,
Vou aguentar
E de novo me vou perdoar,
Para que não venha a magoá-lo.


Bruno Torrão
99/12/06

segunda-feira, 5 de março de 2007

Poema XXXVI - A minha droga

Acho que estou viciado,
Mas de uma maneira diferente!
É um vício de grande agrado.
Sinto-me letrodependente!

Podem achar uma loucura
Por às letras estar agarrado,
Mas se a vida para mim for dura,
É pelas letras que sou apoiado.

A minha seringa é a caneta.
Aquecida pela fúria do destino
Injecto a tinta azul ou preta,
E me torno drogado fino,

E me torno de novo menino,
Esquecendo quaisquer problemas.
Canto agora, livre, o hino...
Da alegria, e sem algemas!

Bruno Torrão
99/12/06

sábado, 3 de março de 2007

Poema XXXV - Palavras

São de lágrimas minhas palavras feitas!
Doces amarguras do meu destino.
São os espinhos das tão eleitas
Rosas de negro fino.

São palavras de todo um medo
Que possuo na minha coragem,
Descrevendo o feliz enredo
Do rio que não alcança a margem.

São suspiros escritos
Sobre fios de velhas mágoas,
Revelando aos infinitos
Angústias em tons de águas.

São tristes as palavras minhas
Mas que me dão tanta alegria.
E encontro nestas linhas
Meu refúgio do dia-a-dia.

Bruno Torrão
99/12/01

sexta-feira, 2 de março de 2007

Poema XXXIV - Quero escrever (para falar)

Hoje não há luar.
Que bom, que alegria!
Já tenho algo para me inspirar
E me dedicar à poesia.
Alegre ou sombria...

Mas não vejo como desenvolver
A ideia de melancolia.
Melhor era se estivesse a chover
Para exaltar a fantasia
Que em mim vive todo o dia.

Quero escrever sem parar,
E escrever como um desvairado.
E a escrever quero voltar,
Para não ficar angustiado,
Porque o não escrever me põe mais calado,

E isso eu não quero.
Quero ser das palavras imperador.
Sim! Ser como Homero
Que dava às palavras sentido de amor,
Pois não me basta falar de dor.

Quero falar de algo platónico,
Alegre ou real.
Só não quero ficar afónico.
Falar sobre este, aquela e o tal,
Sobre a dor ou até do irreal!

Bruno Torrão
99/11/28



É verdade, agora só quase actualizo isto de semana a semana. Felizmente!
O trabalho ocupa-me bastante bem o tempo e a cabeça. A vida para lá do emprego também! :)

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Poema XXXIII - O meu grito

O meu grito é mudo...
Mas eu grito.
Não derrubo o Mundo,
Mas ouve-se o meu grito.

O meu grito é frio...
Frio de gelar.
Grito na nascente do rio
Para se ouvir em alto mar.

O meu grito é barulhento...
Fácil de se notar.
Mas é levado pelo vento
Para ninguém me ajudar.

O meu grito é abafado,
Para se sentir o seu calor.
Mas quem está agasalhado
Não sente o meu furor.

Paro então de gritar
Pois agora já estou louco.
Ninguém me ouve chamar,
Mas vêm chegando de pouco a pouco.

Bruno Torrão
99/11/14




Este é o poema que inicia o meu segundo livro não publicado, Letrodependência.

A mudança do Expiração para este é extremamente ténue, até porque a minha temática, ainda hoje, dez anos passados desde o Adeus, não tem oscilado muito. Sou eu... intrissecamente eu! Embora um pouco maduro, moldado ou diferente.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Poema XXXII - Velha Querida

A Escola Secundária Infante D. Pedro


Quantas gerações por ti passaram?
Foram muitas, sim.
Quantas outras te desejaram
E não querem que tenhas fim?

Até sempre serás
Mais do que amiga,
E hoje me prepararás
Para toda a minha vida.

Não só me ensinaste
Matérias para saber,
Como também me ajudaste
A saber o que é viver.

És velha, bem o sei,
Mas não podes agora morrer.
Acredita que tudo farei
Para continuares a viver.

Bruno Torrão
99/11/18



Escrevi este poema quando nos foi dada a notícia de que a escola iria ser demolida. E, acreditem ou não, embora ligeiramente degradada, velha e, ainda, provisória, quem por lá andou só tem boas memórias. Boas vivências! E é isso que quero transmitir no poema.

A escola é conhecida com escola velha, por haver uma mais recente a poucos metros de distância. Maior e mais bem conservada, jamais terá o mesmo ambiente que, pelo menos, se vivia na velha.

Especial: Na hora do Chá IV

O tempo tem sido de louvar!

Isto de trabalhar por turnos tem, afinal, muito que se lhe diga!
E depois, a vida social!! Abastada!

E é por isso que tenho vindo pouco até aqui, conversar-vos. Espero que me entendam!

Obrigado a quem tem comentado. Fico feliz por conseguir transmitir ideias, sentimentos e opiniões. Sejam elas como forem! Gosto é do feedback!

Devido a este atraso de uns diazitos, hoje deixar-vos-ei dois poemas, até porque são os últimos do meu primeiro livro não editado, Expiração.
Um já está aqi por baixo, o outro, aqui em cima!

Poema XXXI - Amizade... (a nossa)

Aos Amigos


Contaste-me os teus segredos,
Atraíste-me.
Contei-te os meus medos,
Não me traíste.

Segredaste ao meu ouvido,
Não espalhei.
Tu foste o meu abrigo
Onde um dia eu chorei.

Da tristeza me tiraste
Nesse melancólico dia,
E com prazer me mergulhaste
Nas tuas águas d'alegria.

A ti não te mentia
Mesmo que te ferisse com a verdade.
Não deixava passar um dia
Sem o dedicar à nossa amizade.

Bruno Torrão
99/11/12



Sagrados!
Ainda que alguns se tenham distanciado pelos caminhos da vida, tanto pelo que dei como pelo que me deram, não deixarão nunca de ser... Sagrados amigos! Valiosíssimos!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Poema XXX - Novamente para ti

A Florbela Espanca


Por vezes desejo morrer
Por nunca te ter conhecido.
Queria ter sido o teu menino querido,
A tua alegria de viver!

Quando à noite estou na rua,
Nostálgica, triste, sombria...
Estar contigo era o que queria,
Ver-te feliz à luz da Lua.

Olho para o céu.
Ai como brilha aquela estrela...
Sim, és tu, Florbela,
Iluminando o coração meu!

Emociono-me. "Vem"!
Grito de surdina;
És o ouro da minha mina,
No horizonte, a maior nuvem!

Não, não choro.
Tu não queres que chore, não!
Olho para o coração
Vejo-te a ti... Não morro!

Bruno Torrão
99/11/04

Especial: Na Hora do Chá III

Foi registado hoje, por volta das 03h42m, a 100ª visita, segundo o contador da Blogpatrol.

É, ou não, motivo de festa?