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Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

domingo, 18 de maio de 2008

Poema XLIII - Ó toque da minha escola

Do poema Ó sino da minha aldeia
de Fernando Pessoa



Ó toque da minha escola,
Doente em meus ouvidos,
De barulho singular
Põe-me os tímpanos durídos.

É tão roto o teu tocar,
Tão choro de velha garrida,
Que logo o primeiro toque
Acorda a mente adormecida.

Por tão longe que toques,
Com teu som, sempre irritante,
És para mim um desatino,
Quem me dera ver-te distante.

Mesmo que ande pela rua,
Longe do teu roncar,
Na mesma te oiço,
Sempre a chatear.

Bruno Torrão
00/02/07



Com este poema recordo-me sempre do toque da Escola Secundária Infante D. Pedro, aquele martirizador toque, quase como se ainda hoje o ouvisse! A graça deste poema está no facto de ter sido escrito em plena aula de Língua Portuguesa, quando, no 12º ano, se estudava a Obra de Fernando Pessoa (ortónimo), exactamente quando nos encontrávamos a estudar a forma e o conteúdo do mesmo.
Estranhamente, tal como no poema de Pessoa, o sujeito poético recorda com saudade o tocar dos sinos... E eu até sinto saudade do toque da escola!

sábado, 17 de maio de 2008

Poema XLII - O porquê da dor

Gostava tanto de chorar
Por coisas sem razão,
Ou por não a ter.
Adorava poder soltar
O que me vai no coração,
Mas gritar e não escrever.

Então grito em surdina
Sem as lágrimas deixar sair
Dos olhos molhados de tristeza,
Ou d'alegria, desta sina
Que só sabe escrever e rir
Que não fala quando tem a certeza.

Oiço toda a gente a falar,
Desabafar, a sorrir para mim
Na esperança de me ouvir.
Mas a boca só me faz calar
E ouvir do princípio ao fim
Sem me deixar intervir.

Mas não consigo expulsar
O que me caminha em meu peito.
E então volto a escrever...
E mais um dia sem chorar.
E mais uma noite em que me deito
Com a dor causado pelo não saber.

Bruno Torrão
00/01/12

Especial: Na hora do chá VI

Se há quem faça as festas da reentré com bebidas espirituosas, eu cá trago o meu chá. Quer isto dizer que assistimos à festa de re-inauguração do SSL (Sob o Signo das Letras).

O meu regresso deve-se, em parte, ao facto de estar de férias e, como tal, tenho de arranjar algo para matar as tardes parvas e inúteis que daí advêm. Por outro lado, o facto de um dos meus melhores amigos me ter recordado este espaço.

Ainda hoje publicarei um novo post. Um post com a essência do blog. Um poema da minha autoria, seguindo a mesma linha cronológica com que, até ao último se surgiam.

Degluto mais um trago de chá e me despeço com um breve até já!

quarta-feira, 21 de março de 2007

Especial: Na hora do chá V

O post que hoje disponho sobre a mesinha de chá é simples; a Poesia!

Quem diria? Porque falar especialmente de poesia se é este um blog onde se respira e consome poesia?

Hoje é dia 21 de Março e, como tem sido habitual, o dia em que a Primavera se inicia, celebra-se, também, o Dia Mundial da Poesia.
De há uns tempos para cá que recebo mensagens e e-mails de Parabéns, como se fizesse anos.
Embora os agradeça, respondo sempre, mais coisa menos coisa, "A Poesia agradece! E agradeço-te por também seres poesia."

As pessoa teimam em se fazerem tudo menos poesia!
Podera! A vida aguda e assaz dos tempos de hoje fazem-nos ser tudo menos a calma da poesia. Somos quase que um romance de terror, onde as palavras são demasiado carregadas por energias devastadoras.

Será por isso que se junta a Primavera e a Poesia?
E eu que tanto teimo em escrever palavras mais pesadas, fortes... Faço por transmitir ideias não tão "solarengas"; e, mais ainda, apraz-me o stress e a vida cosmopolita!
Serei menos poeta por isso?

Isso sim, só me faz crer que a Poesia é, afinal, tudo.
Seja ela serena ou agreste, mimosa ou cipreste, desperta ou sono. Primavera ou Outono!

Poesia é tudo o que em nós se melodia!

Aqui há uns tempos, questionava o porquê de eu não saber cantar se sei falar!?
Responderam-me, por meias palavras: "Eu também não sei escrever poesia. Embora saiba escrever. Para cantares, falta-te melodia, assim como me falta, a mim, melodia a escrever."

E como o post já vai longo, deixo-vos com uma estrofe curta, mas cheia de POESIA:

Veio a Lua dar-me as graças,
Beijar-me a mente. Criação!
Soltam-se açucenas. Exaltação!
Criam-se orgasmos enquanto me abraças,
Num dia que te criste, tão harmonia,
Belo e singular dia à Poesia!

terça-feira, 20 de março de 2007

Poema XLI - Serei forte

Porque me faço tão forte
Quando quero gritar?
Quererei enfrentar a morte
Sem ter de a encarar?

Porque guardo tanta dor
Quando a devia libertar,
E deixar o pior
Vaguear pelo mar?

Porque será que não choro
E guardo a dor no peito,
E ao passado não a jorro?
Para ser mais do que perfeito?

Mas quero gritar,
Quero chorar baba e ranho
Até em louco me tornar...
Fazer das lágrimas o lago onde me banho!

E com o erro aprender
Que basta ser como sou,
Que a vida também é para sofrer
E para ser vivida até ser avô.

Bruno Torrão
00/01/10

segunda-feira, 19 de março de 2007

Poema XL - Em dor

Foram mil noites de paixão
Entregues à magia do amor,
Na verdade foram só ilusão...
Verões sem qualquer calor.

Na água que eu já bebi,
O calor que me fez aquecer
Fez-se em gelo que derreti,
Mas que nunca devia fazer.

Sem querer te entregaste
A mim, de corpo e alma,
Sem temer ao que chegaste.
Um fim com muita calma...

Deixaste na solidão
Com um enorme aperto no peito,
Ficou em pedra meu coração
Perdido...sem qualquer jeito.

Bruno Torrão
99/12/29

quarta-feira, 14 de março de 2007

Outros V - Sophia M. B. Andersen

Espera

Dei-te a solidão do dia inteiro.
Na praia deserta, brincando com a areia,
No silêncio que apenas quebrava a maré cheia
A gritar o seu eterno insulto,
Longamente esperei que o teu vulto
Rompesse o nevoeiro.





Sempre assumi o meu fraco respeito por Sophia. Não gosto! Apenas isso...

No entanto, assim como aqueles que venero têm obras com as quais não objecto predilecção ou gosto que seja, Sophia tem uns poucos poemas com os quais digo: "Não diria, jamais, que foi ela que escreveu!".
Esta Espera, As Rosas, a Promessa, são exemplos disso mesmo.

Poema XXXIX - Coração só

Quero falar de Amor,
Mas meu coração
Só me dá é dor
E Solidão.

Vejo na noite escura
Uma escapadinha
Da vida tão dura,
Desta alma sozinha,

Em que sou invadido
Por amor e carinho,
Onde sou possuído
E não fico sozinho,

Onde encontro a felicidade.
Sou amado!
Nasce o sol sobre a cidade
E fica o sonho terminado.

Por outra noite anseio
Apesar de ser imaginação,
Não tenho receio...
Pois alegro meu coração.

Bruno Torrão
99/12/18

quarta-feira, 7 de março de 2007

Poema XXXVIII - No meu mundo

Mais uma sem me sorrir.
Mais outra sem reagir.
Mais outra a fugir.
E outra sem me sorrir.

Sou tão antipático
Para toda a comunidade,
E certamente o mais simpático
De toda a sociedade.

Sou deveras o mais egoísta
Dos mais egoístas de lá do fundo.
Voluntariamente sou o artista
Que alegra todo o mundo.

Sou por todos tão adorado,
Querido e apaparicado,
E no fim sou um parvo
Por todos odiado.

Bruno Torrão
99/12/18

terça-feira, 6 de março de 2007

Poema XXXVII - O lago

Hoje eu me perdoo.
Da raiva que em mim guardo
Neste grande lago
E fundo
Tão largo como o mundo,
Imundo,
Sem fundo,
Feito de maldade,
Sem margem...
À margem da sociedade.
De betão não é a barragem...
É de falsidade
O cimento, cinzento
Ciumento,
É verdade.
Por lá não passa água
Só mágoa,
Saudade,
Tristeza,
Sem pureza
De se notar.
É difícil de aguentar
Sem que tenha de explodir
Sem que tenha de chorar
Gritar, enlouquecer...
Mas não sei o que mais faz doer.
Não sei o que realmente me vai ferir.
Vou guardá-lo,
Vou aguentar
E de novo me vou perdoar,
Para que não venha a magoá-lo.


Bruno Torrão
99/12/06