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Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Estrelas Sugestivas III

Tal como fiz na 1ª edição do Signo, vou continuar a propôr alguns sons que me fazem sentir muito a poesia (alguns até me chegam a dar ideias).

O que vos trago hoje é a minha mais recente aquisição. Embora o álbum tenha saído já o ano passado, só agora me lembrei de o comprar. Falo-vos de uma das mais promissoras seguidoras do fado nos dias de hoje. Uma voz quente e uma imagem quasi-exótica. Falo-vos de Ana Moura!

Do que já conheço vindo dos álbuns anteriores, este ultrapassa-os em largos pontos. Não consigo quase, sequer, escolher uma "super-faixa"! Ainda assim, os singles Os Búzios e O Fado da Procura, conseguem trazer alguma diferença das faixas restantes. Mas nada melhor que o ouvir cada uma das 15 faixas para poder tirar o bom sabor que fica para além da saudade!

Poema XLVI - À caneta

Ter esta caneta na mão
Dá-me tanta, mas tanta calma
Que se ficar sem ela
Perco o coração
E a alma.

Só de possuí-la entre meus dedos
Cresce-me um aperto na barriga
E vontade de gritar
Pois solta-me dos meus medos.
É mais do que uma amiga.

Só de pensar que vou ter de a deixar
E largá-la para uma gaveta,
Desfaço-me em lágrimas
De maneira a nem querer acabar,
Mesmo morrendo a tinta da caneta.

Já agora que vou dormir
Com a mente já mais clara
E livre de tristezas,
Um sonho a poderá substituir
Numa obra rara.

Bruno Torrão
00/03/20

terça-feira, 20 de maio de 2008

Poema XLV - Não

Não quero mais ser outro.
Ferir-me a mim,
Agradar aos outros.
Chega, basta...fim!

Não quero mais esta
Feita d'alegria lerda,
Rotina de tristeza,
Acabou-se, merda!

Não quero mais rir-me
Que nem um perdido,
Mostrar-me contente
Quando estou todo fodido!

Não quero mais dizer que sim
Quando me perguntam " 'Tá tudo bem?".
Quero que todos saibam
Que fico triste também.

Não quero mais fazer-me de forte,
Imune a qualquer tristeza,
Porque a perfeição não está de fora
Mas sim dentro como a beleza.

Bruno Torrão
00/02/15

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Poema XLIV - Sobre o amor

Quero falar de amor.
Mas não sei como fazer
Pois não tenho o calor
Para nele pensar,
Quanto mais sobre ele escrever.

Quero falar de amor
Pois poder-me-ia alegrar.
Mas só sinto dor...
E basta nele pensar
Para que por dentro comece a chorar.

E ao falar de amor,
Triste por não o ter,
Sinto o ardor
Contente por não saber
O fim do amor que queria ter.

Então, para quê pensar no amor
Se mais do que alegria
Me dá também dor.
Prefiro estar como estou, a viver
E nunca mais senti-lo queria!

Bruno Torrão
00/02/15

domingo, 18 de maio de 2008

Poema XLIII - Ó toque da minha escola

Do poema Ó sino da minha aldeia
de Fernando Pessoa



Ó toque da minha escola,
Doente em meus ouvidos,
De barulho singular
Põe-me os tímpanos durídos.

É tão roto o teu tocar,
Tão choro de velha garrida,
Que logo o primeiro toque
Acorda a mente adormecida.

Por tão longe que toques,
Com teu som, sempre irritante,
És para mim um desatino,
Quem me dera ver-te distante.

Mesmo que ande pela rua,
Longe do teu roncar,
Na mesma te oiço,
Sempre a chatear.

Bruno Torrão
00/02/07



Com este poema recordo-me sempre do toque da Escola Secundária Infante D. Pedro, aquele martirizador toque, quase como se ainda hoje o ouvisse! A graça deste poema está no facto de ter sido escrito em plena aula de Língua Portuguesa, quando, no 12º ano, se estudava a Obra de Fernando Pessoa (ortónimo), exactamente quando nos encontrávamos a estudar a forma e o conteúdo do mesmo.
Estranhamente, tal como no poema de Pessoa, o sujeito poético recorda com saudade o tocar dos sinos... E eu até sinto saudade do toque da escola!

sábado, 17 de maio de 2008

Poema XLII - O porquê da dor

Gostava tanto de chorar
Por coisas sem razão,
Ou por não a ter.
Adorava poder soltar
O que me vai no coração,
Mas gritar e não escrever.

Então grito em surdina
Sem as lágrimas deixar sair
Dos olhos molhados de tristeza,
Ou d'alegria, desta sina
Que só sabe escrever e rir
Que não fala quando tem a certeza.

Oiço toda a gente a falar,
Desabafar, a sorrir para mim
Na esperança de me ouvir.
Mas a boca só me faz calar
E ouvir do princípio ao fim
Sem me deixar intervir.

Mas não consigo expulsar
O que me caminha em meu peito.
E então volto a escrever...
E mais um dia sem chorar.
E mais uma noite em que me deito
Com a dor causado pelo não saber.

Bruno Torrão
00/01/12

Especial: Na hora do chá VI

Se há quem faça as festas da reentré com bebidas espirituosas, eu cá trago o meu chá. Quer isto dizer que assistimos à festa de re-inauguração do SSL (Sob o Signo das Letras).

O meu regresso deve-se, em parte, ao facto de estar de férias e, como tal, tenho de arranjar algo para matar as tardes parvas e inúteis que daí advêm. Por outro lado, o facto de um dos meus melhores amigos me ter recordado este espaço.

Ainda hoje publicarei um novo post. Um post com a essência do blog. Um poema da minha autoria, seguindo a mesma linha cronológica com que, até ao último se surgiam.

Degluto mais um trago de chá e me despeço com um breve até já!

quarta-feira, 21 de março de 2007

Especial: Na hora do chá V

O post que hoje disponho sobre a mesinha de chá é simples; a Poesia!

Quem diria? Porque falar especialmente de poesia se é este um blog onde se respira e consome poesia?

Hoje é dia 21 de Março e, como tem sido habitual, o dia em que a Primavera se inicia, celebra-se, também, o Dia Mundial da Poesia.
De há uns tempos para cá que recebo mensagens e e-mails de Parabéns, como se fizesse anos.
Embora os agradeça, respondo sempre, mais coisa menos coisa, "A Poesia agradece! E agradeço-te por também seres poesia."

As pessoa teimam em se fazerem tudo menos poesia!
Podera! A vida aguda e assaz dos tempos de hoje fazem-nos ser tudo menos a calma da poesia. Somos quase que um romance de terror, onde as palavras são demasiado carregadas por energias devastadoras.

Será por isso que se junta a Primavera e a Poesia?
E eu que tanto teimo em escrever palavras mais pesadas, fortes... Faço por transmitir ideias não tão "solarengas"; e, mais ainda, apraz-me o stress e a vida cosmopolita!
Serei menos poeta por isso?

Isso sim, só me faz crer que a Poesia é, afinal, tudo.
Seja ela serena ou agreste, mimosa ou cipreste, desperta ou sono. Primavera ou Outono!

Poesia é tudo o que em nós se melodia!

Aqui há uns tempos, questionava o porquê de eu não saber cantar se sei falar!?
Responderam-me, por meias palavras: "Eu também não sei escrever poesia. Embora saiba escrever. Para cantares, falta-te melodia, assim como me falta, a mim, melodia a escrever."

E como o post já vai longo, deixo-vos com uma estrofe curta, mas cheia de POESIA:

Veio a Lua dar-me as graças,
Beijar-me a mente. Criação!
Soltam-se açucenas. Exaltação!
Criam-se orgasmos enquanto me abraças,
Num dia que te criste, tão harmonia,
Belo e singular dia à Poesia!

terça-feira, 20 de março de 2007

Poema XLI - Serei forte

Porque me faço tão forte
Quando quero gritar?
Quererei enfrentar a morte
Sem ter de a encarar?

Porque guardo tanta dor
Quando a devia libertar,
E deixar o pior
Vaguear pelo mar?

Porque será que não choro
E guardo a dor no peito,
E ao passado não a jorro?
Para ser mais do que perfeito?

Mas quero gritar,
Quero chorar baba e ranho
Até em louco me tornar...
Fazer das lágrimas o lago onde me banho!

E com o erro aprender
Que basta ser como sou,
Que a vida também é para sofrer
E para ser vivida até ser avô.

Bruno Torrão
00/01/10

segunda-feira, 19 de março de 2007

Poema XL - Em dor

Foram mil noites de paixão
Entregues à magia do amor,
Na verdade foram só ilusão...
Verões sem qualquer calor.

Na água que eu já bebi,
O calor que me fez aquecer
Fez-se em gelo que derreti,
Mas que nunca devia fazer.

Sem querer te entregaste
A mim, de corpo e alma,
Sem temer ao que chegaste.
Um fim com muita calma...

Deixaste na solidão
Com um enorme aperto no peito,
Ficou em pedra meu coração
Perdido...sem qualquer jeito.

Bruno Torrão
99/12/29