magnotico on-line entertainment

magnotico on-line entertainment
Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Poema LIX - Uma canção

Escrevi tantas canções
Com base na tua alegria,
Repletas de emoções
Vividas no dia-a-dia.

Falavam de sonhos
E de sensações gostosas.
Versos em nada medonhos.
Nada de letras saudosas.

Porque vejo em ti
A alegria que quero ter
Porque vejo em ti
O mapa dos meus caminhos
A percorrer
Vejo em ti
O fruto do meu prazer
Que é, enfim,
Simplesmente o teu viver.

Foi no teu sorriso que fui buscar
Tão orgulhosa inspiração
Para a música que faço cantar
Na mais bela e romântica canção.

Bruno Torrão
00/08/12

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Poema LVIII - Alentejo

Ai Alentejo, como te odeio!
Os teus cheiros, sabores,
A tua terra feita de dores
De secas intensas,
De aridez, e imensas!

Ai Alentejo, como te odeio!
Essa tua calma de enfrentares a vida,
Transparece tua tristeza sentida
Pela pobreza que não te esquece.
E que não desaparece!

Apenas o teu anoitecer
Tem a força de esconder com oliveiras
O fogo que de dia queima noites de lareiras.
E só isso me faz arrepender
P’lo ódio que te tenho e que não canso de o dizer.

Bruno Torrão
00/07/04



Ainda há uns dias comentei com certas pessoas a existência deste poema, e do quanto eu admito o meu pouco-gosto (ou quase nenhum) pelo Alentejo. Certo é, no entanto, que este foi escrito antes de eu ter conhecido tanto o Alentejo Litoral (donde tenho grande admiração por Porto Côvo, Vila N. Milfontes, São Torpes, etc.) e do Nordeste Alentejano (Vila Viçosa, Elvas, Borba, etc.).

No entento, continuo a ter esse mesmo (des)gosto pelo Alentejo da zona de Beja/Serpa...

Peço desculpa, ainda, a quem segue o blog, por ter falhado estes dois últimos dias, mas o cansaço laboral tem vencido!...

domingo, 1 de junho de 2008

Poema LVII - A morte do Anjo

Morreu o anjo da salvação.
Os sinos tocam na televisão,
Enquanto que na aparelhagem
Ouve-se a marcha fúnebre.
Ao longo do rio, na margem,
Deitam-se pétalas ao fundo.

Nas praças acendem-se velas.
Rezam-se orações nas capelas.
Todos choram a sua morte
À porta da casa onde vivia.
Todos esperam com sorte
De que venha a renascer um dia.

Nas noites de luar intenso,
Queimam-se paus de incenso
Para avivar a sua alma.
Pede-se saúde para o lar,
Muita alegria, dinheiro e calma.
E fé, para continuar a acreditar

No anjo da salvação dos nossos seres.
Pede-se igualdade para homens e mulheres.
Entreajuda e paz para todos os povos,
Mais respeito para os velhos,
Educação para os mais novos,
E surdez aos maus conselhos.

Protecção à família inteira,
Morte ao racismo de qualquer maneira.
Pelos pecados pede-se perdão,
E orgulho nacional.
Vêem no anjo da salvação
O Futuro de Portugal.

Bruno Torrão
00/06/20



Porque a exumação de uma fé leva sempre ao nascimento de outra, mesmo que cumpra linhas semelhantes.
A adoração a algo que de facto já não existe, pode fazer cumprir-se, ainda, neste poema. Foram estas algumas das ilacções que me surgiram aquando da escrita desta composição.
Até mesmo o retrato de uma mediatização exarcebada sobre as coisas que, porventura, até nem têm muito de o ser...

Escolham a que preferem, ou retirem as vossas próprias conclusões. As sugestões são sempre bem aceites!

sábado, 31 de maio de 2008

Poema LVI - A minha fama

Só eu consigo agradar a gregos e a troianos,
Só eu consigo ter ordem e poder.
Porque o destino me fez Deus entre humanos,
E alegre entre a tristeza que não para de crescer.

Porque serei eu o líder da liberdade,
O rei do Aquém, do Além e do Mar.
E me farei espalhar como a chuva da tempestade
E serei o calor que a água irá secar.

E agora, um simples mortal clauso,
Obrigado a dar, sem perceber,
Vivo na agitação da fama, que causo,
Somente, uma vibração no meu ser.

Bruno Torrão
00/06/07

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Poema LV - Triste inspiração

Estou entre mim e a solidão,
Estou no meio do nada,
No centro da resolução
De uma dúvida mal validada.

A dúvida da alegria,
Do eterno prazer com a vida,
Com a morte, com cada dia
Com a mítica musa querida.

Porque o bem não me inspira.
A felicidade não me inspira.
O contentamento não me inspira.
Só a tristeza, a morte. Tão gira!

Fico então, aqui, triste, só,
Alegremente na solidão
Que me mete dó,
Sem alma, sem coração.

Bruno Torrão
00/06/07

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Poema LIV - Não estou em mim (desorgulho)

O nada apoderou-se de mim.
O vazio, a solidão...
Sinto que estou no fim,
Perdido na palma da minha mão!

Até o que me dava alegria:
A família, um amigo,
Perderam o orgulho que neles tinha.
E nem o orgulho está comigo!

Nem a poesia que escrevo
M'alegra nas noites em que não durmo.
Nem a quem a minh'alegria devo
Merece um abraço obscuro,

Porque já nada me faz sorrir
Na face em que sou eu mesmo, o Eu!
No meu ego já nada consegue subir,
Flutuar no orgulho que devia ser meu.

Bruno Torrão
00/05/25

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Poema LIII - Os outros

Todos os outros poemas
São lindos, belos, risonhos!
Verdadeiros! São sonhos!
Só os meus são problemas,
Mortos, tristes.
Finge tu que nunca
Os viste,
E que são uma espelunca.
E diz-me que choraste apenas ao ler,
E que depois te riste,
Dizendo para o alto
"Ainda este poeta se quer fazer!"

Bruno Torrão
00/05/24

terça-feira, 27 de maio de 2008

Poema LII - Fico assim

Esta noite
Ao chegar a casa,
Com a temperatura em brasa,
Deu um toque a solidão
Só por não te ter aqui.
Não sei viver sem ti.

E fico assim,
Perdido, sem ter jeito,
Sem domar a dor no peito
Que cresce a todo o momento.
Então vem quebrar este tormento.
Peço-te, volta p’ra mim.

E fico assim
Chorando pelos cantos.
Fico assim
Rendidos aos teus encantos.
E eu fico assim...
Jamais posso viver sem ti!

Na manhã seguinte
Ao acordar,
Oiço a dor a chamar,
A explodir dentro de mim
Porque tu não estás a meu lado.
Volta! Quero ser amado.

Outra noite passa por aqui.
Fico olhando a lua
Imaginando que estás comigo
E que nunca chegaste a partir,
E então volto a sorrir.
E fico assim
Sorrindo para o espaço.
Fico assim
Vivendo passo a passo.
E eu fico assim,
Já posso bem viver sem ti.

Bruno Torrão
00/05/22


A estória deste poema é muito simples. Sintecticamente foi: Convite para letra duma canção de uma cantora pimba com muito sucesso no ano 2000. Letra enviada. Ainda hoje aguardo resposta tanto da dita cantora, como da própria editora. Ela já não canta. Mas eu já sei a resposta!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Poema LI - Solidão, minha vizinha

Tenho a Solidão como vizinha,
Que vem de vez em quando
Tocar-me à campainha.
"Não fiques tão só."
- Vem-me ela avisando -
"Tal solidão mete-me dó!"

Abro-lhe a porta, chorando,
E lhe peço que se vá.
"Tão triste que eu ando
Ai o amor! A quanto ele obriga!
Coisa mais triste não há,
Solidão, minha amiga!"

Ela entra sem permissão!
E abraça-me e me escuta.
E solta o meu coração
E diz, durante um abraço,
"Ah! Solidão, filha da puta!"
E choro então no seu regaço!

E nesse dia mil lágrimas soltei,
Lancei dos meus olhos, com suavidade.
E a ela mesma eu avisei,
"Não te culpes pela briga
Que tenho com a Felicidade.
Vai-te agora, Solidão, minha amiga."

Bruno Torrão
00/05/19

domingo, 25 de maio de 2008

Poema L - Deste lado

Para lá da porta que acabei de fechar
Fica um mundo intenso,
Um lugar imenso,
Cheio de amor e de gente que sabe amar.

Deste lado, onde estou,
Fica um mundo solitário,
Que não alimenta o imaginário
De quem alguma vez amou.

É onde nasce o sol, deste lado,
De manhã, ainda frio,
E onde nasce de lágrimas um rio,
Água aquecida dum coração gelado!

Aqui a noite aparece em primeiro.
Filha do silêncio e da solidão,
Onde quem age é a recordação
De um amor que não fica prisioneiro.

E a recordação, maldita
Só me deixa chorar
E sofrer, e gritar
Mas ninguém ouve quem grita

Pois o grito é camuflado
Pelas alegrias do dia-a-dia.
E quando chega a noite fria
Torna-se o destino amargurado.

Bruno Torrão
00/05/17