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Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

terça-feira, 17 de março de 2009

Poema CVI - Anoitece

A Eva Redondo

Anoitece...
Deixa anoitecer devagar!
Que quanto menos tempo tiver a noite
Menos tempo tenho para me amargurar...

Anoiteceu...
Foi tão impetuoso o escurecer
Que a imensidão do escuro
Me deixou enlouquecer...

Enlouqueci!
Agora que a noite chegou
E a loucura atracou
Nada posso fazer senão amanhecer.

Não amanhece... não acordo.
Quem me diz se ainda estou louco?
Amanhece... não acordei...
Talvez tenha morrido um pouco.

Bruno Torrão
20 Mai.'04



Não! A Evinha não andava com ideias suicidas!
Este poema foi-lhe dedicado por uma simples razão. É um dos poemas onde usei a técnica a que apelidei de "Three Words Poetry" onde construo um poema a partir de três palavras soltas e, neste caso, dadas pela minha ex-formadora de Português, Eva Redondo, de quem, inclusivamente, tenho um montão de saudades... :)

segunda-feira, 9 de março de 2009

Poema CV - Caracóis

Para Cláudia Gonçalves

Andei comendo caracóis!
Que bom gosto que eu tenho.
Estavam tão bons os caracóis
Que agora não saio da casa de banho!

Apanhei caganeira tal
Que já parti a sanita!
Vejam bem como estou mal...
Logo uma moça tão bonita!

Agora só me faço peidar
Com cheirinho a orégão.
Mas que mal me veio atacar...
Grande foda pr’ó cagalhão!

Bruno Torrão
18 Mai.'04



Um poema que nada tem a ver com nada. Estava apenas presente numa qualquer aula quando soubémos todos o que tinha feito a Cláudia ir tanta vez à casa de banho nesse dia!
Tinham sido, de facto, os caracóis!
E assim se fez, do nada, um poema de nada a ver com nada!

terça-feira, 3 de março de 2009

Poema CIV - Dois mundos

Porque toda a gente me ama
À noite sinto a solidão chegar.
Porque toda a gente me deseja,
À noite as lágrimas me acompanham

Talvez por não saber viver acompanhado
E porque a história me colocou no centro...
Ontem não tinha ninguém e era feliz...
Hoje comando o mundo e não o desejo.

Irónico...

Porque ninguém me chama
Para poder alguma vez amar...
Porque tudo o que sobeja
Tem de ser sempre quem odiaram...

Porque como já fui odiado
Hoje não paro de chorar...
E sobrevivo agora pelo “triz”
Aguardando o triz por um beijo.

Bruno Torrão
12 Maio 04

segunda-feira, 2 de março de 2009

Poema CIII - Um filme

Içaste a âncora que me prendia ao teu mar
Levantaste voo em direcção a outros céus.
Hoje rogo para que possas voltar
E voltar a adormecer em terrenos meus...

Levaste o sonho que sonhámos,
Cortámos a corda que nos uniu...
Hoje choro lágrimas que secámos
Mutuamente, num filme que a gente viu...

Bruno Torrão
s.d.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Poema CII - Sempre soube chorar sozinho

Sempre soube chorar sozinho.
Deitar-me à noite e apenas chorar,
Agarro a almofada, com forte carinho,
Deixando-a de minhas lágrimas se embebedar.

Bruno Torrão
08 Abr.'04

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Poema CI - Procura II

Procuro na calma de um cigarro,
Longo e suave pela manhã,
A calma que quero e não agarro,
E que me atormenta a mente sã.

Procuro numa música suave
A calma que tenho e não aceito...
A calma que me atormenta como um encrave,
Que me persegue enquanto não me deito.

Procuro num poema triste
Entender porque não me sinto feliz.
Para isso este poema existe,
Que descreve a calma que tive e não quis...

Bruno Torrão
17 Mar.'04

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Poema C - Ao acaso

Ao acaso construí o mundo,
O qual ao acaso desmoronei.
Inundou-me o mal profundo,
Profano divino que criei.

Ao acaso deitei-me em águas,
De brilho cristalino e reluzente.
Ao acaso afoguei-me em mágoas
Tristes como eu sinto, somente.

Ao acaso deleito desapareci,
Deixando ao mundo a minha saudade.
E hoje, ao acaso aqui escrevi,
Na fonte da minha insanidade,

A carta que ao acaso vos deixei.
Poema que ao acaso irão ler,
Aqueles que por mero acaso me dei,
Que, por acaso, não mais me irão ver!

Bruno Torrão
14 Mar.'04



Ainda que na altura não fizesse a contagem dos meus poemas (e ainda embora acredite que esta contagem não esteja 100% correcta, porque afinal aquilo que nunca acabei por finalizar considero na mesma poesia) este centésimo poema parece que veio mesmo ser o ponto final. Uma carta suicida, quiçá. talvez fosse mesmo isso que eu quisesse na altura em que o escrevi. Talvez...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Especial: Na hora do chá VII

Uma partida com um quarto de século mas uma saudade com mais idade que isso...




Sonata de Outono

Inverno não ainda mas Outono
a sonata que bate no meu peito
poeta distraído cão sem dono
até na própria cama em que me deito.

Acordar é a forma de ter sono
o presente o pretérito imperfeito
mesmo eu de mim próprio me abandono
se o rigor que me devo não respeito.

Morro de pé, mas morro devagar.
A vida é afinal o meu lugar
e só acaba quando eu quiser.

Não me deixo ficar. Não pode ser.
Peço meças ao Sol, ao céu, ao mar
pois viver é também acontecer.


Ary dos Santos

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Poema XCIX - Alverca, cidade minha

Sou teu filho em corpo e alma,
Cidade dona do meu ser.
Em cada vida espalhas calma,
De quem vive por te querer.

Estarás sempre em cada verso
Que a minha caneta escrever,
Mesmo que sendo controverso
Sei que estás no meu viver.

Alverca, cidade, és minha vida
Possuo em ti todo o saber.
Alverca na noite esquecida,
Vem junto de mim te aquecer.
Alverca sonha comigo imenso
Um sonho fácil de buscar.
Alverca de calor intenso,
És a minha essência, és o meu lutar.

Bruno Torrão
16 Fev. '04

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Poema XCVIII - Senhora Altiva

Quem te viu nascer mourisca
Não te sonhava altiva,
E cá quem passa lava a vista
Com teus olhares de diva.

Tão depressa que te fogem
Para além da quarta légua.
Mas no regresso te acolhem,
Senhora de esquadro e régua!

Deitada ao longo do vale,
A braços com o Tejo,
Dona dum sonho real...
Antiga senhora do Ribatejo.

Calças de prata as águas
Que beijam teu vestido verde
Da Alfarrobeira das mágoas,
Criadas por D. Pedro...

Quiseste tu ser um dia,
Cinzenta cor de tristeza,
Mas em ti reina a alegria,
A vivacidade e a beleza.

Das ruínas que te criaram,
Controlavas a piedade.
Dos peregrinos que a cá marchavam,
Levavam sempre saudade!

Bruno Torrão
16 Fev. '04



Como já tinha referido, talvez por outras palavras, sou um tanto-quanto bairrista. Defendo Alverca como se não houvesse outro sítio! Como tal, era incrédulo que não tivesse ainda escrito nada sobre Alverca.
Pois foi então, na noite de 16 de Fevereiro de 2004 que, enquanto relia um trabalho para o curso sobre as potencialidades turísticas de Alverca, que me sairam dois poemas. Um em quadras, mais popular, o outro mais irregular e pessoal.