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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Rodeio



Rodeio

Deixa lá esse rodeio que o tempo roda já demais
Sobre si, de nós alheio, passa vidros e portais,
Passa esquinas e taipais que se tapam de soslaio
E deixam entre os demais só o tempo que lhes extraio

Se te caio, se me calhas, somos que tectos caiados
Como teias, como malhas, como bilros e bordados,
Como fendas encastrados num tempo que se escapa
Como farpas num quase quadro onde o pincel se esfarrapa.

Deixa lá esses rodeios! O tempo não espera que cruzemos
Por esses becos feios onde às voltas não nos metemos!
E assim, como por menos, voltamos ao tempo reunido,
Enquanto formos obscenos às voltas dum corpo despido!

Bruno Torrão

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Chocolate



Chocolate

Que se descubra o sol e se rompa agora
Com a força das varas que sacodem estrelas.
Não temas a noite! Ela ainda demora
E nós temos o tempo preso nas janelas!

Não fites o céu antes que eu to peça
Pois nele pintei suaves linhas de escarlate
Como tanto pediste, sob a promessa
De me ofereceres o mundo em chocolate,

Daquele mais negro que existe, do mais amargo,
Que de açúcar já me sobeja o paladar,
Causa feliz desse teu imperativo estrago
Por cada vez que me ordenas beijar.

Bruno Torrão

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Ponte-cama



Ponte-cama

Deixa que cerre os olhos, agora
Que os teus dedos se despistam
Numa carícia tua que demora
No meu corpo nu, e persistam

Por ínfimos minutos, pelo dia fora!
Deslizamos pela cama em marcha lenta,
Feita ponte que nos une sem demora
Traçada num instante como se esquenta

Num entre-corpos um cubo de gelo.
Traçamos vias rápidas p’los fios de cabelo
Enlaçados nas mãos que nos alcatroam

Ao chão de cada um como cola!
E enquanto a estrada corrida se desenrola
Façamos dos corpos filas que se amontoam!

Bruno Torrão