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quarta-feira, 7 de março de 2007

Poema XXXVIII - No meu mundo

Mais uma sem me sorrir.
Mais outra sem reagir.
Mais outra a fugir.
E outra sem me sorrir.

Sou tão antipático
Para toda a comunidade,
E certamente o mais simpático
De toda a sociedade.

Sou deveras o mais egoísta
Dos mais egoístas de lá do fundo.
Voluntariamente sou o artista
Que alegra todo o mundo.

Sou por todos tão adorado,
Querido e apaparicado,
E no fim sou um parvo
Por todos odiado.

Bruno Torrão
99/12/18

terça-feira, 6 de março de 2007

Poema XXXVII - O lago

Hoje eu me perdoo.
Da raiva que em mim guardo
Neste grande lago
E fundo
Tão largo como o mundo,
Imundo,
Sem fundo,
Feito de maldade,
Sem margem...
À margem da sociedade.
De betão não é a barragem...
É de falsidade
O cimento, cinzento
Ciumento,
É verdade.
Por lá não passa água
Só mágoa,
Saudade,
Tristeza,
Sem pureza
De se notar.
É difícil de aguentar
Sem que tenha de explodir
Sem que tenha de chorar
Gritar, enlouquecer...
Mas não sei o que mais faz doer.
Não sei o que realmente me vai ferir.
Vou guardá-lo,
Vou aguentar
E de novo me vou perdoar,
Para que não venha a magoá-lo.


Bruno Torrão
99/12/06

segunda-feira, 5 de março de 2007

Poema XXXVI - A minha droga

Acho que estou viciado,
Mas de uma maneira diferente!
É um vício de grande agrado.
Sinto-me letrodependente!

Podem achar uma loucura
Por às letras estar agarrado,
Mas se a vida para mim for dura,
É pelas letras que sou apoiado.

A minha seringa é a caneta.
Aquecida pela fúria do destino
Injecto a tinta azul ou preta,
E me torno drogado fino,

E me torno de novo menino,
Esquecendo quaisquer problemas.
Canto agora, livre, o hino...
Da alegria, e sem algemas!

Bruno Torrão
99/12/06

sábado, 3 de março de 2007

Poema XXXV - Palavras

São de lágrimas minhas palavras feitas!
Doces amarguras do meu destino.
São os espinhos das tão eleitas
Rosas de negro fino.

São palavras de todo um medo
Que possuo na minha coragem,
Descrevendo o feliz enredo
Do rio que não alcança a margem.

São suspiros escritos
Sobre fios de velhas mágoas,
Revelando aos infinitos
Angústias em tons de águas.

São tristes as palavras minhas
Mas que me dão tanta alegria.
E encontro nestas linhas
Meu refúgio do dia-a-dia.

Bruno Torrão
99/12/01

sexta-feira, 2 de março de 2007

Poema XXXIV - Quero escrever (para falar)

Hoje não há luar.
Que bom, que alegria!
Já tenho algo para me inspirar
E me dedicar à poesia.
Alegre ou sombria...

Mas não vejo como desenvolver
A ideia de melancolia.
Melhor era se estivesse a chover
Para exaltar a fantasia
Que em mim vive todo o dia.

Quero escrever sem parar,
E escrever como um desvairado.
E a escrever quero voltar,
Para não ficar angustiado,
Porque o não escrever me põe mais calado,

E isso eu não quero.
Quero ser das palavras imperador.
Sim! Ser como Homero
Que dava às palavras sentido de amor,
Pois não me basta falar de dor.

Quero falar de algo platónico,
Alegre ou real.
Só não quero ficar afónico.
Falar sobre este, aquela e o tal,
Sobre a dor ou até do irreal!

Bruno Torrão
99/11/28



É verdade, agora só quase actualizo isto de semana a semana. Felizmente!
O trabalho ocupa-me bastante bem o tempo e a cabeça. A vida para lá do emprego também! :)

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Poema XXXIII - O meu grito

O meu grito é mudo...
Mas eu grito.
Não derrubo o Mundo,
Mas ouve-se o meu grito.

O meu grito é frio...
Frio de gelar.
Grito na nascente do rio
Para se ouvir em alto mar.

O meu grito é barulhento...
Fácil de se notar.
Mas é levado pelo vento
Para ninguém me ajudar.

O meu grito é abafado,
Para se sentir o seu calor.
Mas quem está agasalhado
Não sente o meu furor.

Paro então de gritar
Pois agora já estou louco.
Ninguém me ouve chamar,
Mas vêm chegando de pouco a pouco.

Bruno Torrão
99/11/14




Este é o poema que inicia o meu segundo livro não publicado, Letrodependência.

A mudança do Expiração para este é extremamente ténue, até porque a minha temática, ainda hoje, dez anos passados desde o Adeus, não tem oscilado muito. Sou eu... intrissecamente eu! Embora um pouco maduro, moldado ou diferente.