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Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Poema CXXXIV - Tonto

A cabeça batuca... matuta.
Pensa. Tanto ela pensa.
Tem preso o peso de uma prensa.
É estranha derrotada de uma luta.

Dá mil voltas no seu lugar.
Roda e gira como nada...
Não chega ao fim de cansada,
Mas cansa-se de tanto pensar.

Prende-me a visão ao além,
Onde jamais cabeça estivera...
Não se lembra ela de Primavera
Florida, como quando se ama alguém.

Anda tonto o meu pensamento.
Doente da vida. Depressivo.
Por isso da vida me esquivo.
Por isso da vida me atormento.

Bruno Torrão
11 Fev. 05

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Poema CXXXIII - Fuga

Corre-me o rio por toda a face!
Rolam-me as pedras no pensamento!
Procuro, em vão, algo que disfarce
O que tenho cá dentro. Este tormento!

A fuga torna-se uma necessidade!
A vontade de sair sem ter norte,
Sem rumo escolhido. Só a vontade
De seguir o destino, à mercê da sorte!

Criar uma cruzada da liberdade,
Levada em extremo significado!
Não ter barreiras, nem saudade,
Nem vontade de voltar ao iniciado.

Perder-me em montes e caminhos.
Achar-me longe. Não mais me achar!
Perder de vista todos os caminhos
Para não mais saber como voltar...

Bruno Torrão
07 Fev.’05

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Poema CXXXII - Velozes

Farto-me de fumar. Estou estranho...
Nunca vi, de tão grande tamanho,
Pensamentos correrem dentro de mim.
Parece-me uma auto-estrada sem ter fim,
Por onde carros alcançam tamanha velocidade.

Não lhes intercepto o caminho. São velozes!
Tenho medo? Não sei... parecem soltar vozes
Que encalham o meu agir. A solução...
Não percebo qual a meta! Para onde vão?
Tão rápidos, porquê? Qual a ansiedade?

Parecem-me ter perdido a simplicidade
Numa qualquer curva de má visibilidade.
Não parecem sequer ter qualquer destino...
Mas correm para algum lugar que não defino
Nos meus estranhos sentidos de percepção!

Correm como loucos! E não param, nem abrandam!
Tomara que algo os fizesse parar onde andam,
Para os poder observar. Para lhes poder perguntar;
“Porque existem em mim? Porquê tanto desgastar?
Saberão, talvez, que me gastam também! Ou não?”

Mas não param! Não abrandam. Só seguem
Em tais correrias que, suponho, não entendem
Também eles, a causa. Mas esgotam-me o pensamento!
Nada concluo. A destino nenhum chego, em padecimento,
Por nenhuma resposta obter. Só peço, agora, então...

Parem... Parem de correr!

Bruno Torrão
07 Fev.’05



Quando na cabeça as questões parecem ganhar tamanhos assustadores enquanto circulam pelas nossas auto-estradas cognitivas sem lei de velocidade... Sai isto. Saíu isto.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Poema CXXXI - Àqueles (o grito da liberdade!)

Gente estranha... Tanta gente!
Gente cinzenta num mundo de loucos,
São eles tantos ou tão poucos,
Os que sentem o sentir que a gente sente!

Tristeza guardada em coração dormente!
Têm conversas escondidas do mundo...
São desvairados. Também pensam fundo,
E sentem o sentir que a gente sente!

E é essa gente de tão acanhada mente,
Que nos ignora com tamanho desdém,
Que sabem que sentimos nós também,
E sentem o sentir que a gente sente!

Mas eles insistem em me tomar por diferente,
Porque amo o semelhante, e eles não!
No amor deles não comanda só o coração,
Mas sentem o sentir que a gente sente!

Por isso eu assumo à estranha gente,
Que sei ser como sou, e não como querem!
Que não é por me repudiarem que me ferem,
Aqueles que sentem o sentir que a gente sente!

Bruno Torrão
06 Fev.’05




Este foi, sem dúvida, um dos meus mais bem aclamados poemas até à época em que foi escrito. O simples rasgar de raiva que tentei demonstrar - muito calmamente como é tão próprio do meu ser! - fez-me enaltecer perante aclamadas palavras vindas de muita gente!
Perdi a vergonha de me assumir e de esconder aquilo que realmente me faz sentir bem e ser (a maioria das vezes) feliz. Assumi que sei amar quem realmente amo, e não preciso que seja institucional ou que esteja na Constituição a dizer que o posso fazer.

Amo porque amo.
Gosto porque gosto!
... E se não posso mandar nos sentimentos dos outros, por favor, livrem-se de mandar nos meus!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Poema CXXX - Mais fácil

Eu cá choro sempre parado,
À minha cama encostado,
Para que caia apenas meu pranto.
Mais fácil será encontrá-lo,
Que em qualquer outro canto,
Para quando quiser de novo chorá-lo.

Eu cá choro sempre a andar,
Por onde mais quero estar,
Para que caia o pranto na terra.
Mais fácil será esquecê-lo.
E assim não entro em guerra
Com o meu próprio flagelo.

Eu cá choro sempre a correr,
Por entre pedras a ferver,
Para que seque rápido a amargura.
Mais fácil será perdê-la,
Que em qualquer outra altura,
E então nunca mais revê-la.

Eu cá choro sempre a cantar,
Nas melodias que fazem chorar,
Para que a música alegre o poema.
Mais fácil será compartilhá-lo,
O que dificulta o meu dilema,
E que tão bem sabem escutá-lo.

Bruno Torrão
30 Jan.'05

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Poema CXXIX - Estas folhas

Sou como as árvores. Altas. Esguias.
Tocam céus, chegam fundo. São como eu,
Tão grandes são as árvores. Como eu.
Tão só como eu. Tão altas e frias.

Estão nuas no Inverno. Estão frias!
Enchem-se de cor no Verão. Como eu,
Todo o ano choro, folhas, que me deu
O Verão. Folhas. Cor e alegrias.

E choro no Outono as folhas mortas.
E no chão, então mortas, elas caem,
Como pesadas que fossem, leves são

Estas folhas que ganhei pelo Verão.
São minhas lágrimas que agora o cobrem.
Chão dos passos da vida que agora fogem.

Bruno Torrão
29 Jan.'05

sábado, 8 de agosto de 2009

Poema CXXVIII - Enjoado

Mata-me aos poucos, a rotina.
A sabedoria triste da vida cronometrada.
Vida seguida, sabida e farta. Enjoada!
Segue-se a estrada em que cada esquina

Se assemelha a outras tantas.
Estranho é, podera, quem as fez,
Por certo envolvido em mantas,
Decadência, insanidade e embriaguez.

Ruas tortas onde me assombro tanto.
Ruas estranhas onde me resguardo
E tão, estupidamente, o meu pranto
Afogo, mato... E deixo enterrado.

Bruno Torrão
28 Jan.’05

terça-feira, 28 de julho de 2009

Poema CXXVII - Por vezes estou vivo

Por vezes estou vivo... outras, nem sei.
Por vezes respiro. Outras suspiro...
Houve até alturas em que sonhei,
Que de um simples retiro,
Sombrio e húmido, escuro de morte,
Perdia a minha orientação e o meu norte,
A quem os meus suspiros mirava,
E com tamanha frieza mos roubava.

Por vezes estou morto... julgo que esteja.
Nem sei... Não conheço o que separa, afinal,
A vida da morte. Sou a alma que rasteja
Entre cacos e cactos, espinhos de dor mortal,
Que me rasgam a pele. Fraquejo. Como estou?
Nem sei dizer, sequer, o que sou...
Se alma, se corpo, se nada... ou tudo.
Se rasgos de tristeza que me fazem mudo.

Por vezes sou tudo... outras, nem tanto.
Por vezes sou nada. Por vezes apenas sou
Aquele que lança aos ventos o pranto
Que imagina que quem tal choro criou,
Não passa de alguém que não é vida.
Alguém que nunca foi nada. Esquecida,
Talvez, uma vida que se fez de aço,
Morta e desfeita pela malvadez do cansaço.

Por vezes sei o que sou. Muitas não sei.
Julgo que manejo o tempo e sou quem ensina
Toda a gente a viver o que, um dia, inventei.
Como manter a pose. Como matar a rotina.
Como se ser feliz numa intensa infelicidade.
Como se manter jovem no fim da idade.
Mas nem sempre estou vivo. Nem sempre morto.
Caminho, portanto, à luz de um caminho torto.

Bruno Torrão
24 Jan.'05

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Poema CXXVI - Quisera eu

Se a terra ao fim se entregasse,
Como pagamento à sua tortura,
Quisera eu, que a felicidade saltasse,
Da minha palma a uma pedra dura.

Se o mundo ao fim se redimisse,
E se submetesse ao descontrolo,
Quisera eu, que a euforia sorrisse,
Saltando por fim do meu solo.

Se a vida ao fim se terminasse,
E me desse oportunidade de escolha,
Quisera eu, que ela aceitasse,
A minha vida por esta folha.

Bruno Torrão
15 Jan.’05

domingo, 26 de julho de 2009

Poema CXXV - É estranho (que estranho)

É estranho que me adore
Quem eu nunca soube adorar.
É estranho que me ame
Quem eu nunca soube amar.

É estranho que me odeie
Quem eu nunca soube odiar.
É estranho que admire
O que não soube antes admirar.

É estranho que morra
Sem nunca antes ter vivido.
É estranho que viva
Sem nunca antes ter sofrido.

É estranho que sofra
Sem que tenha antes me arrependido.
É estranho que me arrependa
Sem que tenha antes aprendido.

É estranho que agora sorria
A quem nunca me tenha sorrido.
É estranho agora sofrer
Por quem nunca tenha sofrido.

É estranho que tudo me estranhe
E tudo o que estranho já vivi.
É estranho que tudo estranhe
Sem nunca estranhar o que vivi.

Bruno Torrão
13 Jan.’05



Estranho acredito que andava eu, nesta altura... Não me pareceque andasse bem das ideias. Agora que revejo estes últimos poemas, não gosto nada do que leio neles... :\