Brinca nesta rua, Alegria,
Enquanto to permite a idade!
Pois daqui a uns anos, mais tarde,
Não mais brincarás, Alegria...
Brinca agora, pequena Alegria,
Como brinca qualquer criança
Brotando dos olhos esperança,
Fantasia, emoção e alegria...
Só agora podes brincar, Alegria,
Aproveita agora tamanha virtude!
Pois com o crescer tanto se ilude
E na vida só se perde é alegria...
Bruno Torrão
19 Fev.'05
Este foi, como podem verificar pelos tag, mais um poema no qual utilizei a táctica Three Words Poetry.
Ainda hoje me espanto, comigo, como tive tamanha agilidade nesses tempos em fazê-lo... E hoje nem tampouca agilidade tenho - quase - sequer, para escrever...!
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Poema CXXXVI - Abraçado à morte
Quem sabe ao chegares, um dia,
Em vez de me veres abraçado a mim,
Abraçando a morte com alegria,
Me encontrarás no mesmo sítio, por fim.
Talvez sem esperares, um dia,
Estarei deitado no leito eterno,
A morte abraçando-me, como eu queria,
Apenas a sete palmos do inferno.
Talvez realize tais desejos, um dia,
Como jamais consegui realizar maiores.
Abraçar a morte. Tanto que queria...
Mas jamais por morrer de desamores.
Bruno Torrão
13 Fev.'05
Em vez de me veres abraçado a mim,
Abraçando a morte com alegria,
Me encontrarás no mesmo sítio, por fim.
Talvez sem esperares, um dia,
Estarei deitado no leito eterno,
A morte abraçando-me, como eu queria,
Apenas a sete palmos do inferno.
Talvez realize tais desejos, um dia,
Como jamais consegui realizar maiores.
Abraçar a morte. Tanto que queria...
Mas jamais por morrer de desamores.
Bruno Torrão
13 Fev.'05
Engraçado! Por pouco não colocava o poema no seu quinto aniversário.
Por este modo vejo em como mudei tanto nestes cinco anos volvidos, neste tema e nesta temática. quer na vida, quer na escrita. Ainda que muito do que escrevo - ou escrevi (por vezes já não sei como me designar neste ponto ou situação) - tenha muito-bastante-ou-quase-tudo daquilo que sou, presencio e vivo.
Por este modo vejo em como mudei tanto nestes cinco anos volvidos, neste tema e nesta temática. quer na vida, quer na escrita. Ainda que muito do que escrevo - ou escrevi (por vezes já não sei como me designar neste ponto ou situação) - tenha muito-bastante-ou-quase-tudo daquilo que sou, presencio e vivo.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Poema CXXXV - Saudade
Estranho é o sentimento. Complexo.
Não sabe ninguém mais defini-lo...
Torna-me tão confuso. Perplexo!
Longe de o largar. Fácil é consegui-lo.
Longe de tudo o que viva... da vida,
Atrofia os eternos pensadores...
Faz pensar em cada batalha vencida.
Agilmente refresca memórias de dores...
Estranho é o sentimento. Complicado.
Alcança todos, em qualquer idade.
Faz parte de nós. É o nosso fado,
Aquele que nos alaga. E é saudade...
Bruno Torrão
12 Fev. 05
Como já não aqui vinha há quase um mês, decidi aparecer. Não que goste do poema... mas continuo a postá-los por ordem.
Não sabe ninguém mais defini-lo...
Torna-me tão confuso. Perplexo!
Longe de o largar. Fácil é consegui-lo.
Longe de tudo o que viva... da vida,
Atrofia os eternos pensadores...
Faz pensar em cada batalha vencida.
Agilmente refresca memórias de dores...
Estranho é o sentimento. Complicado.
Alcança todos, em qualquer idade.
Faz parte de nós. É o nosso fado,
Aquele que nos alaga. E é saudade...
Bruno Torrão
12 Fev. 05
Como já não aqui vinha há quase um mês, decidi aparecer. Não que goste do poema... mas continuo a postá-los por ordem.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Poema CXXXIV - Tonto
A cabeça batuca... matuta.
Pensa. Tanto ela pensa.
Tem preso o peso de uma prensa.
É estranha derrotada de uma luta.
Dá mil voltas no seu lugar.
Roda e gira como nada...
Não chega ao fim de cansada,
Mas cansa-se de tanto pensar.
Prende-me a visão ao além,
Onde jamais cabeça estivera...
Não se lembra ela de Primavera
Florida, como quando se ama alguém.
Anda tonto o meu pensamento.
Doente da vida. Depressivo.
Por isso da vida me esquivo.
Por isso da vida me atormento.
Bruno Torrão
11 Fev. 05
Pensa. Tanto ela pensa.
Tem preso o peso de uma prensa.
É estranha derrotada de uma luta.
Dá mil voltas no seu lugar.
Roda e gira como nada...
Não chega ao fim de cansada,
Mas cansa-se de tanto pensar.
Prende-me a visão ao além,
Onde jamais cabeça estivera...
Não se lembra ela de Primavera
Florida, como quando se ama alguém.
Anda tonto o meu pensamento.
Doente da vida. Depressivo.
Por isso da vida me esquivo.
Por isso da vida me atormento.
Bruno Torrão
11 Fev. 05
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Poema CXXXIII - Fuga
Corre-me o rio por toda a face!
Rolam-me as pedras no pensamento!
Procuro, em vão, algo que disfarce
O que tenho cá dentro. Este tormento!
A fuga torna-se uma necessidade!
A vontade de sair sem ter norte,
Sem rumo escolhido. Só a vontade
De seguir o destino, à mercê da sorte!
Criar uma cruzada da liberdade,
Levada em extremo significado!
Não ter barreiras, nem saudade,
Nem vontade de voltar ao iniciado.
Perder-me em montes e caminhos.
Achar-me longe. Não mais me achar!
Perder de vista todos os caminhos
Para não mais saber como voltar...
Bruno Torrão
07 Fev.’05
Rolam-me as pedras no pensamento!
Procuro, em vão, algo que disfarce
O que tenho cá dentro. Este tormento!
A fuga torna-se uma necessidade!
A vontade de sair sem ter norte,
Sem rumo escolhido. Só a vontade
De seguir o destino, à mercê da sorte!
Criar uma cruzada da liberdade,
Levada em extremo significado!
Não ter barreiras, nem saudade,
Nem vontade de voltar ao iniciado.
Perder-me em montes e caminhos.
Achar-me longe. Não mais me achar!
Perder de vista todos os caminhos
Para não mais saber como voltar...
Bruno Torrão
07 Fev.’05
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Poema CXXXII - Velozes
Farto-me de fumar. Estou estranho...
Nunca vi, de tão grande tamanho,
Pensamentos correrem dentro de mim.
Parece-me uma auto-estrada sem ter fim,
Por onde carros alcançam tamanha velocidade.
Não lhes intercepto o caminho. São velozes!
Tenho medo? Não sei... parecem soltar vozes
Que encalham o meu agir. A solução...
Não percebo qual a meta! Para onde vão?
Tão rápidos, porquê? Qual a ansiedade?
Parecem-me ter perdido a simplicidade
Numa qualquer curva de má visibilidade.
Não parecem sequer ter qualquer destino...
Mas correm para algum lugar que não defino
Nos meus estranhos sentidos de percepção!
Correm como loucos! E não param, nem abrandam!
Tomara que algo os fizesse parar onde andam,
Para os poder observar. Para lhes poder perguntar;
“Porque existem em mim? Porquê tanto desgastar?
Saberão, talvez, que me gastam também! Ou não?”
Mas não param! Não abrandam. Só seguem
Em tais correrias que, suponho, não entendem
Também eles, a causa. Mas esgotam-me o pensamento!
Nada concluo. A destino nenhum chego, em padecimento,
Por nenhuma resposta obter. Só peço, agora, então...
Parem... Parem de correr!
Bruno Torrão
07 Fev.’05
Nunca vi, de tão grande tamanho,
Pensamentos correrem dentro de mim.
Parece-me uma auto-estrada sem ter fim,
Por onde carros alcançam tamanha velocidade.
Não lhes intercepto o caminho. São velozes!
Tenho medo? Não sei... parecem soltar vozes
Que encalham o meu agir. A solução...
Não percebo qual a meta! Para onde vão?
Tão rápidos, porquê? Qual a ansiedade?
Parecem-me ter perdido a simplicidade
Numa qualquer curva de má visibilidade.
Não parecem sequer ter qualquer destino...
Mas correm para algum lugar que não defino
Nos meus estranhos sentidos de percepção!
Correm como loucos! E não param, nem abrandam!
Tomara que algo os fizesse parar onde andam,
Para os poder observar. Para lhes poder perguntar;
“Porque existem em mim? Porquê tanto desgastar?
Saberão, talvez, que me gastam também! Ou não?”
Mas não param! Não abrandam. Só seguem
Em tais correrias que, suponho, não entendem
Também eles, a causa. Mas esgotam-me o pensamento!
Nada concluo. A destino nenhum chego, em padecimento,
Por nenhuma resposta obter. Só peço, agora, então...
Parem... Parem de correr!
Bruno Torrão
07 Fev.’05
Quando na cabeça as questões parecem ganhar tamanhos assustadores enquanto circulam pelas nossas auto-estradas cognitivas sem lei de velocidade... Sai isto. Saíu isto.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Poema CXXXI - Àqueles (o grito da liberdade!)
Gente estranha... Tanta gente!
Gente cinzenta num mundo de loucos,
São eles tantos ou tão poucos,
Os que sentem o sentir que a gente sente!
Tristeza guardada em coração dormente!
Têm conversas escondidas do mundo...
São desvairados. Também pensam fundo,
E sentem o sentir que a gente sente!
E é essa gente de tão acanhada mente,
Que nos ignora com tamanho desdém,
Que sabem que sentimos nós também,
E sentem o sentir que a gente sente!
Mas eles insistem em me tomar por diferente,
Porque amo o semelhante, e eles não!
No amor deles não comanda só o coração,
Mas sentem o sentir que a gente sente!
Por isso eu assumo à estranha gente,
Que sei ser como sou, e não como querem!
Que não é por me repudiarem que me ferem,
Aqueles que sentem o sentir que a gente sente!
Bruno Torrão
06 Fev.’05
Gente cinzenta num mundo de loucos,
São eles tantos ou tão poucos,
Os que sentem o sentir que a gente sente!
Tristeza guardada em coração dormente!
Têm conversas escondidas do mundo...
São desvairados. Também pensam fundo,
E sentem o sentir que a gente sente!
E é essa gente de tão acanhada mente,
Que nos ignora com tamanho desdém,
Que sabem que sentimos nós também,
E sentem o sentir que a gente sente!
Mas eles insistem em me tomar por diferente,
Porque amo o semelhante, e eles não!
No amor deles não comanda só o coração,
Mas sentem o sentir que a gente sente!
Por isso eu assumo à estranha gente,
Que sei ser como sou, e não como querem!
Que não é por me repudiarem que me ferem,
Aqueles que sentem o sentir que a gente sente!
Bruno Torrão
06 Fev.’05
Este foi, sem dúvida, um dos meus mais bem aclamados poemas até à época em que foi escrito. O simples rasgar de raiva que tentei demonstrar - muito calmamente como é tão próprio do meu ser! - fez-me enaltecer perante aclamadas palavras vindas de muita gente!
Perdi a vergonha de me assumir e de esconder aquilo que realmente me faz sentir bem e ser (a maioria das vezes) feliz. Assumi que sei amar quem realmente amo, e não preciso que seja institucional ou que esteja na Constituição a dizer que o posso fazer.
Amo porque amo.
Gosto porque gosto!
... E se não posso mandar nos sentimentos dos outros, por favor, livrem-se de mandar nos meus!
Perdi a vergonha de me assumir e de esconder aquilo que realmente me faz sentir bem e ser (a maioria das vezes) feliz. Assumi que sei amar quem realmente amo, e não preciso que seja institucional ou que esteja na Constituição a dizer que o posso fazer.
Amo porque amo.
Gosto porque gosto!
... E se não posso mandar nos sentimentos dos outros, por favor, livrem-se de mandar nos meus!
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Poema CXXX - Mais fácil
Eu cá choro sempre parado,
À minha cama encostado,
Para que caia apenas meu pranto.
Mais fácil será encontrá-lo,
Que em qualquer outro canto,
Para quando quiser de novo chorá-lo.
Eu cá choro sempre a andar,
Por onde mais quero estar,
Para que caia o pranto na terra.
Mais fácil será esquecê-lo.
E assim não entro em guerra
Com o meu próprio flagelo.
Eu cá choro sempre a correr,
Por entre pedras a ferver,
Para que seque rápido a amargura.
Mais fácil será perdê-la,
Que em qualquer outra altura,
E então nunca mais revê-la.
Eu cá choro sempre a cantar,
Nas melodias que fazem chorar,
Para que a música alegre o poema.
Mais fácil será compartilhá-lo,
O que dificulta o meu dilema,
E que tão bem sabem escutá-lo.
Bruno Torrão
30 Jan.'05
À minha cama encostado,
Para que caia apenas meu pranto.
Mais fácil será encontrá-lo,
Que em qualquer outro canto,
Para quando quiser de novo chorá-lo.
Eu cá choro sempre a andar,
Por onde mais quero estar,
Para que caia o pranto na terra.
Mais fácil será esquecê-lo.
E assim não entro em guerra
Com o meu próprio flagelo.
Eu cá choro sempre a correr,
Por entre pedras a ferver,
Para que seque rápido a amargura.
Mais fácil será perdê-la,
Que em qualquer outra altura,
E então nunca mais revê-la.
Eu cá choro sempre a cantar,
Nas melodias que fazem chorar,
Para que a música alegre o poema.
Mais fácil será compartilhá-lo,
O que dificulta o meu dilema,
E que tão bem sabem escutá-lo.
Bruno Torrão
30 Jan.'05
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Poema CXXIX - Estas folhas
Sou como as árvores. Altas. Esguias.
Tocam céus, chegam fundo. São como eu,
Tão grandes são as árvores. Como eu.
Tão só como eu. Tão altas e frias.
Estão nuas no Inverno. Estão frias!
Enchem-se de cor no Verão. Como eu,
Todo o ano choro, folhas, que me deu
O Verão. Folhas. Cor e alegrias.
E choro no Outono as folhas mortas.
E no chão, então mortas, elas caem,
Como pesadas que fossem, leves são
Estas folhas que ganhei pelo Verão.
São minhas lágrimas que agora o cobrem.
Chão dos passos da vida que agora fogem.
Bruno Torrão
29 Jan.'05
Tocam céus, chegam fundo. São como eu,
Tão grandes são as árvores. Como eu.
Tão só como eu. Tão altas e frias.
Estão nuas no Inverno. Estão frias!
Enchem-se de cor no Verão. Como eu,
Todo o ano choro, folhas, que me deu
O Verão. Folhas. Cor e alegrias.
E choro no Outono as folhas mortas.
E no chão, então mortas, elas caem,
Como pesadas que fossem, leves são
Estas folhas que ganhei pelo Verão.
São minhas lágrimas que agora o cobrem.
Chão dos passos da vida que agora fogem.
Bruno Torrão
29 Jan.'05
sábado, 8 de agosto de 2009
Poema CXXVIII - Enjoado
Mata-me aos poucos, a rotina.
A sabedoria triste da vida cronometrada.
Vida seguida, sabida e farta. Enjoada!
Segue-se a estrada em que cada esquina
Se assemelha a outras tantas.
Estranho é, podera, quem as fez,
Por certo envolvido em mantas,
Decadência, insanidade e embriaguez.
Ruas tortas onde me assombro tanto.
Ruas estranhas onde me resguardo
E tão, estupidamente, o meu pranto
Afogo, mato... E deixo enterrado.
Bruno Torrão
28 Jan.’05
A sabedoria triste da vida cronometrada.
Vida seguida, sabida e farta. Enjoada!
Segue-se a estrada em que cada esquina
Se assemelha a outras tantas.
Estranho é, podera, quem as fez,
Por certo envolvido em mantas,
Decadência, insanidade e embriaguez.
Ruas tortas onde me assombro tanto.
Ruas estranhas onde me resguardo
E tão, estupidamente, o meu pranto
Afogo, mato... E deixo enterrado.
Bruno Torrão
28 Jan.’05
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