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Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Poema CXLV - Nas colheres

São as pessoas assemelhadas
Às colheres que tenho no faqueiro;
Umas são brilhantes. Prateadas!
Outras de plástico. Do barateiro.

Quando olho para elas, que vejo,
O côncavo interior desfalcado,
Lembro-me de mim, e nelas revejo,
O meu interior todo alterado.

Porém, miro então o outro lado,
E atento, então, o convexo exterior.
Tudo normal! No sítio bem colocado,
Faz lembrar um mundo de esplendor!

No entanto, o mais importante,
E nem por muitos lembrado,
É que o côncavo mais perturbante,
É, dos dois, o mais bem desenhado.

Pois tão bem suporta no seu pedaço
Os mais gélidos cubos de gelo,
Como amontoa em tão pouco espaço
Um aninhado infinito de quente pelo.

Bruno Torrão
04 Mar. 05

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Poema CXLIV - Incertezas

Um cigarro e música calma.
Uma vela em cima da mesa.
Tormentas bailam-me a alma.
Na cabeça reina a incerteza.

Lá fora a chuva comanda.
Cá dentro o quarto arrefece.
O batimento cardíaco abranda.
O futuro, esse, se esquece.

O pensamento sinto-o quebrado.
A noite parece ser tão escura.
As recordações levam-me ao passado.
A lua, agora, nem parece tão pura.

A minha vida desfaz-se em pó.
Agora o ar é ofegante de tão quente.
Gosto assim, de estar tão só,
Mas não longe de toda a gente.

Bruno Torrão
27 Fev. 05

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Poema CXLIII - Perdão

Estranha meta esta que procuro,
Envolta em quimeras de rara beleza,
Para a qual não me sinto seguro,
E só me deparo com a incerteza,

Tornando-me um ser tão estranho,
Capaz de ser tão incompreendido,
Por quem afecto de grande tamanho
Tenho guardado e sinto ferido.

Estranho caminho que agora percorro,
Era de espinhos sangrentos ornamentado!
Por todos os poros que pedisse socorro
Jamais sentia que fosse, então, ajudado...

Agora que quero esvair-me em morte
E lançar-me aos torrões ensanguentados,
Vejo tantos a acudir-me a sorte...
Tentando dos males serem livrados!

Bruno Torrão
26 Fev. 05



Como há muito que aqui não vinha deixar velhas novidades, e como a alma se me tem libertado e aberto uma nova janela para deixar entrar a inspiração, muito à socapa, vim cá hoje deixar este escrito!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Poema CXLII - Sombras

Temo o dia. A claridade...
Temo tanto! Tenho medo!
Receio... Tamanha felicidade
Provoca-me náuseas em segredo

Que de toda a gente trago.
Só em mim o espectro abraço
Como o destino que largo
E me causa tal cansaço.

Porque as gentes me cansam
E me maçam as ideias,
Tão alegres elas dançam
Em tornos de grandes candeias

Que projectam sombras no escuro!
Iludem-me os pensamentos!
Afugentam de mim o que procuro.
Fazem de meus sonhos tormentos.

Bruno Torrão
23 Fev. 05

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Poema CXLI - Lágrimas

Adoro a solidão! Venero!
Tão só a ela desejo,
Tão só a ela quero,
Respiro, abraço e beijo!

Vivo em mim a solidão!
Só assim gosto de estar.
Sozinho comigo, e então,
Somente comigo falar.

Loucos devaneios sociais,
Acreditem! Sinto-me bem.
Choro tanto! Até demais!
Mas sinto-me bem! Tão bem!

Lanço fora todas as mágoas
Que as pessoas jamais entendem!
As lágrimas? Com calor afago-as...
Secam rápido. E essas me entendem!

Bruno Torrão
22 Fev. 05

sexta-feira, 5 de março de 2010

Poema CXL - As Pessoas

Confundem-me as pessoas! Tanto, tanto!
Lançam-me em medo, devaneio e pranto...
Por isso delas me escondo e tanto fujo,
Para qualquer lugar, deslugar, mundo sujo...

Invento sítios. Descubro lugares indescobertos.
Alcanço estrelas, planetas, universos abertos,
Para me infiltrar e delas me esconder. Quero!
Quero ser sozinho no meu mundo que impero...

Mas elas não me deixam só...
Elas não me deixam só.
Mas elas não me deixam só!
Elas não me deixam só...

Bruno Torrão
20 Fev. 05



Com este poema iniciei o meu quinto livro, terceiro e último da série Magnotico onde, em algumas composições - quiçá na sua maioria - se denota a fase anti-social e de auto-estima retráctil, com referências aos ambientes negros que já se haviam lido nas compilações Expiração e em composições pontuais de Letrodependência.
Este poema foi ainda musicado por Tiago Videira, não se encontrando, no entanto, à disposição do público.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Poema CXXXIX - Pele

Estende-me a pele sobre ti
Como xaile negro desvanecido,
Pele seca e mal tratada,
Como lágrima enxugada,
Caída em teu vestido

De pele, de corpo... Poros e pêlos.
Estendi-me sobre nós
Sobre a cama desfeita,
Nossa veneração eleita,
Em tons de uma só voz

Gritante e jubilar!
Cobri-me de mim, só,
Envolto em flanelas.
Cerraram-se as janelas.
Pelos ácaros me fiz pó.

Lançaste-me ao quarto vento
E à aragem pré-matinal.
Refrescas-me os sentidos,
Apuras-me os lânguidos...
E a pele sabe-me tão mal...

Bruno Torrão
13 Mai.'05



E assim, em pele termino o meu quarto livro, Magnotico - Livro Segundo que poderão, porventura, seguir na íntegra através deste link!
Resta, agora, aguardar pela publicação do próximo. Só aqui! Só no Signo das letras!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Poema CXXXVIII - Açucenas

Tardes amenas, de Primavera!
Tardes de açucenas, quem me dera
Que tão serenas em mim fossem,
Tão calmas em mim que fossem,
Tais amenas e doces tardes
Nas quais apenas ainda ardes
Em minha vista já cega
De um coração que não sossega!

Ó mente apaixonada! A minha!
Talvez machucada... Coitadinha!
Não faço por ti minha coitada.
Mente sem rumo, desnorteada,
Amargas em sumo de limonada!
És tão doce, açucarada...
Mas não te sustentas em nada!
E na minha cega vista, molhada,

Permaneces invicta! Intocável!
Como voz de anjos, inolvidável,
Dos tempos em que passámos
Abraçados ao mundo... Sonhámos!
Tanto que sonhámos, amor!
Tanto que sonhámos... Amor!
Lembro agora esses momentos,
Mergulhado em longos tormentos,

E encharco em mim a saudade!
Ó triste e dolorosa maldade
Que o tempo não quis apagar!
Inocente dor a atacar
A alma, o corpo, a mente...
Tudo à volta anda dormente
Por me esquecer das tardes amenas.
Primaveras tardes de açucenas.


Bruno Torrão
07 Abr. 05

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Poema CXXXVII - Brinca, Alegria!

Brinca nesta rua, Alegria,
Enquanto to permite a idade!
Pois daqui a uns anos, mais tarde,
Não mais brincarás, Alegria...

Brinca agora, pequena Alegria,
Como brinca qualquer criança
Brotando dos olhos esperança,
Fantasia, emoção e alegria...

Só agora podes brincar, Alegria,
Aproveita agora tamanha virtude!
Pois com o crescer tanto se ilude
E na vida só se perde é alegria...

Bruno Torrão
19 Fev.'05



Este foi, como podem verificar pelos tag, mais um poema no qual utilizei a táctica Three Words Poetry.
Ainda hoje me espanto, comigo, como tive tamanha agilidade nesses tempos em fazê-lo... E hoje nem tampouca agilidade tenho - quase - sequer, para escrever...!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Poema CXXXVI - Abraçado à morte

Quem sabe ao chegares, um dia,
Em vez de me veres abraçado a mim,
Abraçando a morte com alegria,
Me encontrarás no mesmo sítio, por fim.

Talvez sem esperares, um dia,
Estarei deitado no leito eterno,
A morte abraçando-me, como eu queria,
Apenas a sete palmos do inferno.

Talvez realize tais desejos, um dia,
Como jamais consegui realizar maiores.
Abraçar a morte. Tanto que queria...
Mas jamais por morrer de desamores.

Bruno Torrão
13 Fev.'05



Engraçado! Por pouco não colocava o poema no seu quinto aniversário.
Por este modo vejo em como mudei tanto nestes cinco anos volvidos, neste tema e nesta temática. quer na vida, quer na escrita. Ainda que muito do que escrevo - ou escrevi (por vezes já não sei como me designar neste ponto ou situação) - tenha muito-bastante-ou-quase-tudo daquilo que sou, presencio e vivo.