Foi aquém-mar, sal d’aqui,
Doca, noite, lua e rio,
Sob a ponte. Vento frio,
Aqueceu-se o interior.
Esqueceu-se o mar.
Brindámos aos corpos
Como copos de cristal.
Aquém-mar, além sal,
Olhos nos olhos
Esquecemos o mar.
Como se fosse uno o suor
E a fulgurosa atracção.
Foi algo que não paixão
Só duma noite...
Sem força de mar.
Bruno Torrão
10 Jul. 06
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Poema CLXXIII - Partida
Tanto que demora a tua partida
Para longe de dentro de mim.
O céu já se tinge nele de carmim,
E os teus olhos ainda têm vida
No céu que olho e não tem fim,
E onde estrelas me brilham guarida.
Pedaço de terra dura e seca, tu,
Que não deixas desistir-me de ti...
Sol que me apodrece o naco cru
É veneno que queima e mata aqui,
No meu espaço, vestido de pele. Nu!
Sem proteger o meu corpo que perdi
Junto à tua alma o espírito. Elevou-se!
Longe vai já. Bifurcado o caminho
Onde a passo e passo fico mais sozinho...
Tanto demora a partida... Acabou-se!
Quero mais é que partas em desalinho
Com uma vida que partiste. E quebrou-se!
Bruno Torrão
07 Jul. 06
Para longe de dentro de mim.
O céu já se tinge nele de carmim,
E os teus olhos ainda têm vida
No céu que olho e não tem fim,
E onde estrelas me brilham guarida.
Pedaço de terra dura e seca, tu,
Que não deixas desistir-me de ti...
Sol que me apodrece o naco cru
É veneno que queima e mata aqui,
No meu espaço, vestido de pele. Nu!
Sem proteger o meu corpo que perdi
Junto à tua alma o espírito. Elevou-se!
Longe vai já. Bifurcado o caminho
Onde a passo e passo fico mais sozinho...
Tanto demora a partida... Acabou-se!
Quero mais é que partas em desalinho
Com uma vida que partiste. E quebrou-se!
Bruno Torrão
07 Jul. 06
domingo, 16 de janeiro de 2011
Poema CLXXII - Depressivos
Atafulho-me de drageias brancas –
Até elas sem cor – mortas. Frias!
(Anti?)-depressivos que me desancas;
Matas agora. O cérebro resfrias!
Encho a mão desalmadamente
À espera que me apagues suspiros,
Lágrimas e sôfregos, repetidamente
Lançados aos duros próprios tiros
Que o meu corpo não condena,
E até mesmo a mutilação abona...
A alma torna-se mais que pequena.
E a vida, o corpo abandona.
Deixo-me chorar, ainda só,
Enquanto o crânio parecer inchar...
Talvez se rebente. Se faça pó!
Aquilo que me tem feito matar.
Bruno Torrão
30 Jun. 06
Até elas sem cor – mortas. Frias!
(Anti?)-depressivos que me desancas;
Matas agora. O cérebro resfrias!
Encho a mão desalmadamente
À espera que me apagues suspiros,
Lágrimas e sôfregos, repetidamente
Lançados aos duros próprios tiros
Que o meu corpo não condena,
E até mesmo a mutilação abona...
A alma torna-se mais que pequena.
E a vida, o corpo abandona.
Deixo-me chorar, ainda só,
Enquanto o crânio parecer inchar...
Talvez se rebente. Se faça pó!
Aquilo que me tem feito matar.
Bruno Torrão
30 Jun. 06
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Poema CLXXI - Afogo
Temo o avanço inverso do meu ser
O regresso ao obscuro passado choroso
Onde a luz faltava como o escurecer
Forçado pelo escorrer tempo rugoso
Diferente de hoje, e amanhã, tenebroso...
Desfolhado livro de beleza a desfalecer.
E à noite desprendo a alma apertada
Entre o peito e costas a sufocar...
Solto as pétalas negras da rosa encarnada,
Ainda cheirosa a veneno, duro de matar!
E à noite desloco o corpo ao nada
Entre o vazio que me ocupa o ser...
Solto gemidos dolorosos de fachada...
Todo o resto é pior. Faço esconder!
Por não querer ser fraqueza em ti
E a quem me vê por fora...
Sou confusão no sangue que corre aqui
Nas veias solúveis cor de amora.
Mas à tua vista, amor de outrora,
Sou a força da água que tudo afoga!
Bruno Torrão
29 Jun. 06
O regresso ao obscuro passado choroso
Onde a luz faltava como o escurecer
Forçado pelo escorrer tempo rugoso
Diferente de hoje, e amanhã, tenebroso...
Desfolhado livro de beleza a desfalecer.
E à noite desprendo a alma apertada
Entre o peito e costas a sufocar...
Solto as pétalas negras da rosa encarnada,
Ainda cheirosa a veneno, duro de matar!
E à noite desloco o corpo ao nada
Entre o vazio que me ocupa o ser...
Solto gemidos dolorosos de fachada...
Todo o resto é pior. Faço esconder!
Por não querer ser fraqueza em ti
E a quem me vê por fora...
Sou confusão no sangue que corre aqui
Nas veias solúveis cor de amora.
Mas à tua vista, amor de outrora,
Sou a força da água que tudo afoga!
Bruno Torrão
29 Jun. 06
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Poema CLXX - Da minha noção
Falta-me a noção de mim...
Excessiva! Observo-a. Futuro incerto.
Cobre-me a alma de céu aberto
Mais efémero que o vago fim.
Falta-me a certeza de tudo...
Findados momentos de conclusão
Onde fecho fora da razão,
A minha, o sentido que falo mudo.
Porque só quando me fundo
E emaranho no nada, vazio,
Tenho a perfeita noção em excesso.
A certeza irrefutável de que o mundo
Sem mim não tem razão. É frio!
Mas no fim, redondo, ao início regresso...
Bruno Torrão
26 Jun. 06
Excessiva! Observo-a. Futuro incerto.
Cobre-me a alma de céu aberto
Mais efémero que o vago fim.
Falta-me a certeza de tudo...
Findados momentos de conclusão
Onde fecho fora da razão,
A minha, o sentido que falo mudo.
Porque só quando me fundo
E emaranho no nada, vazio,
Tenho a perfeita noção em excesso.
A certeza irrefutável de que o mundo
Sem mim não tem razão. É frio!
Mas no fim, redondo, ao início regresso...
Bruno Torrão
26 Jun. 06
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Poema CLXIX - Firmamento
Talvez os mundos parassem
Se ao nascer num momento
O nosso amor, e ficassem,
Entre vozes ao alento,
Somente as nossas, unidas,
De paixão munidas.
E maior que nós o firmamento!
Talvez o sol se ocultasse
Não dando ao tempo andamento,
E nos deixasse neste impasse
Eterno, terno fragmento
Do tempo que construímos,
De segundos que incutimos,
Ao Universo e firmamento!
Talvez a vida tivesse mudado
Se construísse o elemento
Que agora tenho apresentado!
A poesia, meu conhecimento,
Traz a mim a força do mundo
Que eu sou maior que o mundo!
Maior que eu, só firmamento!
Bruno Torrão
11 Jun. 06
Se ao nascer num momento
O nosso amor, e ficassem,
Entre vozes ao alento,
Somente as nossas, unidas,
De paixão munidas.
E maior que nós o firmamento!
Talvez o sol se ocultasse
Não dando ao tempo andamento,
E nos deixasse neste impasse
Eterno, terno fragmento
Do tempo que construímos,
De segundos que incutimos,
Ao Universo e firmamento!
Talvez a vida tivesse mudado
Se construísse o elemento
Que agora tenho apresentado!
A poesia, meu conhecimento,
Traz a mim a força do mundo
Que eu sou maior que o mundo!
Maior que eu, só firmamento!
Bruno Torrão
11 Jun. 06
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Poema CLXVIII - Teus lábios
Teus lindos lábios, desenhados,
São pequenos doces sábios
Que mesmo estando calados,
Sabem a mel os teus termos
Que tornam meus caminhos, enfermos,
Repletos de luzes... doirados!
Quem tos desenhou, de fino traço,
Jamais julgou criar num espaço
Tão magno encanto e beleza!
Deslumbro meus olhos molhados
Por beijar tão grande riqueza, os desenhados
Teus lábios de tamanha grandeza!
Bruno Torrão
28 Mai. 06
São pequenos doces sábios
Que mesmo estando calados,
Sabem a mel os teus termos
Que tornam meus caminhos, enfermos,
Repletos de luzes... doirados!
Quem tos desenhou, de fino traço,
Jamais julgou criar num espaço
Tão magno encanto e beleza!
Deslumbro meus olhos molhados
Por beijar tão grande riqueza, os desenhados
Teus lábios de tamanha grandeza!
Bruno Torrão
28 Mai. 06
domingo, 26 de dezembro de 2010
Poema CLXVII - Telhados de Alfama
Telhados de Alfama
Vejo-os molhar calçados
As calçadas onde derrama
Amores renegados
Pelas gentes enguiçados
A viver na penumbra
E assim me deslumbra
Cada telhado de Alfama.
Bruno Torrão
29 Abr. 06
Vejo-os molhar calçados
As calçadas onde derrama
Amores renegados
Pelas gentes enguiçados
A viver na penumbra
E assim me deslumbra
Cada telhado de Alfama.
Bruno Torrão
29 Abr. 06
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Poema CLXVI - Vou e fico
Já se me gelam os dedos...
A caneta parece não obedecer!
Estranho! Dominava-a antes, invés aos medos,
Que antes, com ela, os fazia morrer!
Não bastam os quentes raios solares
Que, si mesmos, já se vão esgotando!
Faltam-me as forças, outros lugares,
Que a mim obrigo a busca, e demando-me!
Sento-me... aqui num banco. Pedaço...
Curto espaço virado ao nada!
Prendo-me em sonhos... que escasso!
Resta-me a espera e a vida parada...
Deixo-me ir! Só agora, não antes...
Porque o que passou jamais fui eu!
Não era como os livros, sentados em estantes,
Não era os sóis... calor vindo do céu...
Escolhi-me a mim para hoje o ser,
Aquilo que quis mostrar outrora...
Sentei-me. Deixei-me de escolher,
Morrer em mim, estando lá fora.
Bruno Torrão
05 Fev. 06
A caneta parece não obedecer!
Estranho! Dominava-a antes, invés aos medos,
Que antes, com ela, os fazia morrer!
Não bastam os quentes raios solares
Que, si mesmos, já se vão esgotando!
Faltam-me as forças, outros lugares,
Que a mim obrigo a busca, e demando-me!
Sento-me... aqui num banco. Pedaço...
Curto espaço virado ao nada!
Prendo-me em sonhos... que escasso!
Resta-me a espera e a vida parada...
Deixo-me ir! Só agora, não antes...
Porque o que passou jamais fui eu!
Não era como os livros, sentados em estantes,
Não era os sóis... calor vindo do céu...
Escolhi-me a mim para hoje o ser,
Aquilo que quis mostrar outrora...
Sentei-me. Deixei-me de escolher,
Morrer em mim, estando lá fora.
Bruno Torrão
05 Fev. 06
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Poema CLXV - Teu peito
Como se fosse o sol que se raia
Na janela que abres ao alvorecer;
Como se fosse o barulho que desmaia
Na areia da dourada praia
Duma onda acabada de esbater.
Como se fosse a estrela mais brilhante
Que no céu se intimida aparecer;
Como se na terra, não bastante,
Se alimentasse por cada instante
Cada olhar que acabas de receber
No teu belo e erótico peito
Onde uma tarde vi o sol se perder!
Fuga audaz dum mundo perfeito
Onde eu fui, um dia, eleito
Saber do mesmo tirar prazer...
Bruno Torrão
01 Fev. 06
Na janela que abres ao alvorecer;
Como se fosse o barulho que desmaia
Na areia da dourada praia
Duma onda acabada de esbater.
Como se fosse a estrela mais brilhante
Que no céu se intimida aparecer;
Como se na terra, não bastante,
Se alimentasse por cada instante
Cada olhar que acabas de receber
No teu belo e erótico peito
Onde uma tarde vi o sol se perder!
Fuga audaz dum mundo perfeito
Onde eu fui, um dia, eleito
Saber do mesmo tirar prazer...
Bruno Torrão
01 Fev. 06
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