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Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Poema CLXXVIII - Alumia

@ Almedina – Estádio – Coimbra


Sol raiado da escura brisa
Alumia-lhe o chão que acarreta
Sob seus pés de poeta
Seu chão sagrado que pisa

Hão-de volver anos e lembrarei
Nas tardes que agora velejo
As velas que ardem o que vejo
Quão sábio juro que não jurei

Teu chão que ainda hoje pisam
Por mim sagrado da minha herança
Faz de mim regressar-te criança
Que os anos não agem como hajam

Teus sorrisos escondidos entre beijos
Soltam-te os olhos flamejantes
Vejo-te como te vi nunca antes
Quando a ti me fazias gracejos

O sol cansado ainda te queima
P’la vitrina montra. Nosso lar!
Cá dentro sinto o sangue fervilhar
Com a aguçada vontade de quem teima

Que por mais distâncias que nos tenham
Vindos serão os serões que ajuntamos
Nossos desejos profanos profundos unamos
Enquanto telepáticos se empatiam

Os nossos encefálicos desejos
Os nossos fálicos carnudos objectos
Sexuais mudos afectos
Se afectem ao longe em tom de beijos.

Bruno Torrão
09 Ago. 06

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Poema CLXXVII - Lembranças

Longas são tuas lembranças
Assassinas tuas lembranças
Que enforcam em longas tranças
Nas danças do entardecer

Loucas são essas tardes
Dolorosas essas tardes
De saudades covardes
Em que ardes num sol-pôr

Tamanha beleza fugaz
Momentos de grandeza fugaz
Que o brilho de tão sagaz
Nada mais traz senão lembranças

Longas e tristes lembranças
Sempre trucidas lembranças
Que nestas nossas andanças
Foram só feitas saudades.

Bruno Torrão
01 Ago. 06

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Poema CLXXVI - As galinhas

Bipatadas de frágil olhar
Corpo largo e bico afiado
Vão como loucas a cacarejar
As galinhas a meu lado

Bicam nas outras sem razão
No maior dos alaridos
Falam do pato e do falcão,
Dos frangos e dos maridos

Debicam no milho light
Contraceptivo e diurético
Correm loucas num “vem e vai-te”
Sempre com ar patético

Invejam galos e humanos
E as pegas que pegam brilho.
Alçam as penas em rascos panos
Comprados em saldos e grande estrilho

São assim as galinhas que aqui indico
Que comigo partilham o espaço
Que têm lábios em vez de bico
E em vez de asa têm braço!

Bruno Torrão
26 Jul. 06



Este é um dos mais cómicos poemas que alguma vez escrevi. Nasceu numa curta viagem de comboio entre Alverca e Sacavém (confesso que até foi assim que a maioria dos que escrevi entre 2003 e 2006 acabaram por se formar), quando num repente me enervava enquanto lia, com uma qualquer conversa parola entre três senhoras que se sentavam ao meu redor.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Poema CLXXV - Pretensão

Pretensão de fazer girar
O teu nome em torno do mundo.
Nome alegre de sabedoria,
Nome forte de invejar
A quem possua, no fundo,
O mundo, o saber e a alegria!

Vontade forte de te pintar
Em tela sem cor. Liberdade!
Poder usar todo o espaço para ti...
Desenhar-te, não só pintar,
Preencher-te com a minha vontade
De ser eu o recheio de ti!

Ao teu nome dar a poesia
E a cada verso o teu olhar.
Escrever-te magnificente, e então,
Numa simples folha, antes vazia,
Enchê-la de vida e luar.
Prata suave que cobre o coração.

Bruno Torrão
25 Jul. 06

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Poema CLXXIV - Sobre o mar nosso

Foi aquém-mar, sal d’aqui,
Doca, noite, lua e rio,
Sob a ponte. Vento frio,
Aqueceu-se o interior.
Esqueceu-se o mar.

Brindámos aos corpos
Como copos de cristal.
Aquém-mar, além sal,
Olhos nos olhos
Esquecemos o mar.

Como se fosse uno o suor
E a fulgurosa atracção.
Foi algo que não paixão
Só duma noite...
Sem força de mar.

Bruno Torrão
10 Jul. 06

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Poema CLXXIII - Partida

Tanto que demora a tua partida
Para longe de dentro de mim.
O céu já se tinge nele de carmim,
E os teus olhos ainda têm vida
No céu que olho e não tem fim,
E onde estrelas me brilham guarida.

Pedaço de terra dura e seca, tu,
Que não deixas desistir-me de ti...
Sol que me apodrece o naco cru
É veneno que queima e mata aqui,
No meu espaço, vestido de pele. Nu!
Sem proteger o meu corpo que perdi

Junto à tua alma o espírito. Elevou-se!
Longe vai já. Bifurcado o caminho
Onde a passo e passo fico mais sozinho...
Tanto demora a partida... Acabou-se!
Quero mais é que partas em desalinho
Com uma vida que partiste. E quebrou-se!

Bruno Torrão
07 Jul. 06

domingo, 16 de janeiro de 2011

Poema CLXXII - Depressivos

Atafulho-me de drageias brancas –
Até elas sem cor – mortas. Frias!
(Anti?)-depressivos que me desancas;
Matas agora. O cérebro resfrias!

Encho a mão desalmadamente
À espera que me apagues suspiros,
Lágrimas e sôfregos, repetidamente
Lançados aos duros próprios tiros

Que o meu corpo não condena,
E até mesmo a mutilação abona...
A alma torna-se mais que pequena.
E a vida, o corpo abandona.

Deixo-me chorar, ainda só,
Enquanto o crânio parecer inchar...
Talvez se rebente. Se faça pó!
Aquilo que me tem feito matar.

Bruno Torrão
30 Jun. 06

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Poema CLXXI - Afogo

Temo o avanço inverso do meu ser
O regresso ao obscuro passado choroso
Onde a luz faltava como o escurecer
Forçado pelo escorrer tempo rugoso
Diferente de hoje, e amanhã, tenebroso...
Desfolhado livro de beleza a desfalecer.

E à noite desprendo a alma apertada
Entre o peito e costas a sufocar...
Solto as pétalas negras da rosa encarnada,
Ainda cheirosa a veneno, duro de matar!

E à noite desloco o corpo ao nada
Entre o vazio que me ocupa o ser...
Solto gemidos dolorosos de fachada...
Todo o resto é pior. Faço esconder!

Por não querer ser fraqueza em ti
E a quem me vê por fora...
Sou confusão no sangue que corre aqui
Nas veias solúveis cor de amora.
Mas à tua vista, amor de outrora,
Sou a força da água que tudo afoga!

Bruno Torrão
29 Jun. 06

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Poema CLXX - Da minha noção

Falta-me a noção de mim...
Excessiva! Observo-a. Futuro incerto.
Cobre-me a alma de céu aberto
Mais efémero que o vago fim.

Falta-me a certeza de tudo...
Findados momentos de conclusão
Onde fecho fora da razão,
A minha, o sentido que falo mudo.

Porque só quando me fundo
E emaranho no nada, vazio,
Tenho a perfeita noção em excesso.

A certeza irrefutável de que o mundo
Sem mim não tem razão. É frio!
Mas no fim, redondo, ao início regresso...

Bruno Torrão
26 Jun. 06

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Poema CLXIX - Firmamento

Talvez os mundos parassem
Se ao nascer num momento
O nosso amor, e ficassem,
Entre vozes ao alento,
Somente as nossas, unidas,
De paixão munidas.
E maior que nós o firmamento!

Talvez o sol se ocultasse
Não dando ao tempo andamento,
E nos deixasse neste impasse
Eterno, terno fragmento
Do tempo que construímos,
De segundos que incutimos,
Ao Universo e firmamento!

Talvez a vida tivesse mudado
Se construísse o elemento
Que agora tenho apresentado!
A poesia, meu conhecimento,
Traz a mim a força do mundo
Que eu sou maior que o mundo!
Maior que eu, só firmamento!

Bruno Torrão
11 Jun. 06