magnotico on-line entertainment

magnotico on-line entertainment
Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Poema CC - Vontade

É a voraz vontade de escrever
A intra-força fome de escrita
De ter sentido à morte e morrer
E mais perder o pio e sono
Por não ter tido palavra dita
E adormecer a alma sem dono.

Bruno Torrão
28 Mai. 07

sábado, 2 de abril de 2011

Poema CXCIX - Erva

Já deixo crescer erva cinza-opaca
Nos meus jardins da razão.
Não que seja débil ou fraca.
Apenas porque não cresce do chão!

Deixo-a descer dos céus carmim
Até me cobrir o corpo todo.
Esta erva já não vem de mim!
Cheira a estrume, merda e lodo!

Ainda que venha verde fresquinha
E a prometer aroma-humidade,
A que vem dos céus não é minha,
Mas é da minha sociedade!

Bruno Torrão
17 Mai. 07

domingo, 20 de março de 2011

Poema CXCVIII - Chão

Rabisco uma linha por toda a pele
Pulsada em força e de traço grosso
Como se escrevesse as dores em papel
E as apertasse pujantes ao pescoço.

Cresce-me a falta de ar e agonizo
Os gritos de sofrimento e ansiedade.
A pele já sangra o chão que piso
E beijo em desprezo. Já sem vontade...

Desfio agora a linha que desenhei
Com mais força com que as traço.
Julguei-me fraco e já mal notei
Se era meu ou da morte o abraço

Que me apertava contra o chão.
Deixei-me descansar naquele lugar
Enquanto o tempo vagava a solidão
Que eu próprio quis desenhar.

Bruno Torrão
15 Mai. 07

quinta-feira, 10 de março de 2011

Poema CXCVII - Cigarro

Chega de sabor a cigarro de amargo lume bel
Que queimo e agarro e aperto contra a pele
Com a ponta da caneta com que tatuo na alma

O perfil da tua silhueta que corri palma a palma,
Dedo a dedo,
Beijo a beijo...

E passo, a passo, o medo de perto
Onde acerto no desejo da memória que acarreto
No meu ínfimo sentir a tua breve recordação.

E eu que julguei sentir que o tempo voltaria e não,
Não soube como voltar...

Apenas não soube como procurar um caminho certo
Que nos levasse de novo ao sabor suave
Do cigarro que fumávamos em união.

Fique apenas o aroma dos momentos ponteiros
Que tic-tavam a melodia dos nossos corações,
Certeiros,
Que só não acertaram no contratempo.

B. Torrão e M. Palma
07 Mai. 07

terça-feira, 1 de março de 2011

Poema CXCVI - Narcisismo

Sirvo ao mundo como estou.
Pleno duma supra-raiva interior
Onde rasgo a carne e sou
Canibal do meu próprio amor.

Onde me consumo a cada segundo
Em compulsivos desejos carnais.
Onde afogo em sangue profundo
Que oxigeno nas veias arteriais

A paixão de um ser narciso
- Se morrer por mim, aprovo! -
Por saber que de ti já não preciso
Para suportar um mundo novo

Sem a tua presença – inconstante!
Prefiro até que me apeles à lembrança
Como tens feito em cada instante
Na minha memória que já cansa

Em te ter em constante murmurinho.
Toca-me agora, somente, se te peço
Para que me sinta só e, sozinho,
Me embrenhe na solidão que teço.

Bruno Torrão
01 Mai. 07

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Poema CXCV - Nos teus olhos

Ao ver-te, não me brotam palavras.
Calo-me... Prendo-te num abraço.
Com os teus olhos a mim lavras
O corpo todo e o meu espaço,

Como se fosse um campo agreste
E de sabor que não entende ao paladar,
Ainda virgem de amor silvestre
Como as amoras que crescem no teu olhar.

Trinco-te as vistas e a íris toda se deleita...
As pálpebras aconchegam-nos num pestanejar
Como se lançassem lençóis onde se deita
O nosso sonho comum duma cama de amar.

Bruno Torrão
29 Abr. 07

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Poema CXCIV - Morada

As coisas mudam de sentido
Nas ideias que o pensamento cruza.
Sinto o mundo quase perdido
Numa rotação quase confusa.

E no rodar do calendário,
Dia-a-dia, por semana,
Rasuro o meu itinerário
Duma folha donde emana

A confusão dos meus versos
E o riscar das palavras inúteis.
Vivo em mundos submersos
De sub mundos supra fúteis

Que se reflectem no meu espaço,
- Embora os queira detonar -
Mas suporto em cada braço
Quilos de algemas p’ra não lutar...

As palavras não me saem num grito
Enquanto as escrevo na minha pele
“A fraca existência que vomito
Sabe-me a tudo e mais a fel!”

Onde se esconde o mundo
Que de mim já não quer nada?
Tudo à volta é poço onde me afundo...
Quem me dá do mundo a morada?

Bruno Torrão
25 Abr. 07

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Poema CXCIII - Réstia

Roí a minha última unha
Onde punha
Todo o verniz do frasco.
Deu fiasco.

Rasguei a minha última camisa,
Tão precisa,
Que engomava com precisão
A cada serão.

Do jardim colhi a última rosa
Em prosa.
A mesma que a mim prometia
Arrancar em poesia.

Sequei a última gota dos canos
Que, em anos,
Guardei religiosamente da vida.
E em seguida:

Gastei todo o amor por ti
Que restava ainda no meu ser.
Perder? Não! Não te perdi...
Preferi, por tudo, te esquecer.

Bruno Torrão
02 Mar. 07

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Poema CXCII - Madrugada

para Margarete

Estivo nas costas o peso do dia
Como quem deseja o seu termo...
Árduo desfalecer da folia
Que transpira o amor, enfermo,
Na madrugada só da gente.

Sei que guardas no sentir,
Como que corpo morto e ausente,
O pesar amargo do travo florir
Das azedas que brilham p'rá gente
Sob o sol (desgosto) do meio-dia!

Guarda tu a nossa madrugada
Antes que ela se faça dia!
Eu mantenho-a em mim guardada
Como a eterna melodia
Que fizemos vingar entre nós!

Bruno Torrão
19 Fev. 07

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Poema CXCI - E as flores

Veio ainda o destino dar-me
Um molho de rosas vermelhas
Veio ainda o destino tirar-me
Todo o pólen e abelhas
A cor o cheiro. Rosas velhas

Veio ainda o destino dar-me
Cravos lírios margaridas
Veio ainda o destino tirar-me
Mel e favos. Deu-me feridas
E mais as rosas antigas

Veio ainda o destino dar-me
Do arco-íris todas as cores
Veio ainda o destino tirar-me
Para além de todos os sabores
Amores odores... E ainda as flores!

Bruno Torrão
30 Jan. 07