Chicoteio numa cidade-noite dolentes versos
De sangue negro e amargo a vinho.
A alma trôpega soluça a pé-coxinho
Nas pedras calcário dos passeios dispersos.
Nas luzes amarelas que me mijam os ossos
Prego pregos de platina em corrosão.
Sangram-lhe os neutrões em faísca ao chão
Onde estendo as palmas e os destroços
Dos edifícios que não soube cimentar.
Nas escuras ruas – que são já avenidas! –
Escrevo por traços contínuos as medidas
Do meu corpo espalmado a lacerar.
Bruno Torrão
26 Set. 07
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Poema CCIV - Fumo
Fumo sem querer parar. Jamais o quis.
Na garganta o fumo asfixia-me a voz
E as palavras presas ao que se diz
Sob a forte névoa do fumo atroz.
Vejo opaco e negro o fundo do meu ser
E na garganta vermelho que brota
Em sangue de raiva, de ira a escorrer,
E no peito d’ânsias já se debota
Pelo corpo uma cor que desconheço.
Se apenas o fumo é o que mereço,
Que deixe jamais, então, eu de fumar!
E se ao menos o meu fumo respeito
– Que me consome da garganta ao peito –
Seja o resto do meu corpo p’ra fumar!
Bruno Torrão
14 Set. 07
Na garganta o fumo asfixia-me a voz
E as palavras presas ao que se diz
Sob a forte névoa do fumo atroz.
Vejo opaco e negro o fundo do meu ser
E na garganta vermelho que brota
Em sangue de raiva, de ira a escorrer,
E no peito d’ânsias já se debota
Pelo corpo uma cor que desconheço.
Se apenas o fumo é o que mereço,
Que deixe jamais, então, eu de fumar!
E se ao menos o meu fumo respeito
– Que me consome da garganta ao peito –
Seja o resto do meu corpo p’ra fumar!
Bruno Torrão
14 Set. 07
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Poema CCIII - Estrelas
Quando à noite sacudo o brilho das estrelas
E a imensidão do espaço vago de luz
A solidão embarca em mim e seduz
Tudo o que de escuro existe nelas
Imputa em mim a vontade de acender,
Incendiar e deixar queimar a existência.
Ver tornar-se pó ralo a paciência
Das esperas loucas – as ânsias – em te rever.
Agora que nelas o brilho é nulo e escasso
Relembro as labaredas dos fogos da paixão
Que as trevas mais opacas em pleno clarão
Se tornavam ao acontecer em nós cada abraço.
Bruno Torrão
10 Set. 07
E a imensidão do espaço vago de luz
A solidão embarca em mim e seduz
Tudo o que de escuro existe nelas
Imputa em mim a vontade de acender,
Incendiar e deixar queimar a existência.
Ver tornar-se pó ralo a paciência
Das esperas loucas – as ânsias – em te rever.
Agora que nelas o brilho é nulo e escasso
Relembro as labaredas dos fogos da paixão
Que as trevas mais opacas em pleno clarão
Se tornavam ao acontecer em nós cada abraço.
Bruno Torrão
10 Set. 07
domingo, 22 de maio de 2011
Poema CCII - Não era Verão
Era sonho que fiz acordar na madrugada
Perdida, ainda, às voltas no meu consciente.
Os dentes rasgavam as veias da almofada
Já alcoolizada do meu suor intermitente...
Não era Verão e eu já me sentia queimado,
Não na pele mas na alma quase morta.
A roupa da cama balançava-me asfixiado
Pelos escassos passos que me levam à porta
Onde a fuga seria mais fácil que o cenário
Negro e putrefacto que vingava no quarto.
As ideias derretiam-se ao invés e contrário
Daquilo que alguma vez foram de facto!
Perdida, ainda, às voltas no meu consciente.
Os dentes rasgavam as veias da almofada
Já alcoolizada do meu suor intermitente...
Não era Verão e eu já me sentia queimado,
Não na pele mas na alma quase morta.
A roupa da cama balançava-me asfixiado
Pelos escassos passos que me levam à porta
Onde a fuga seria mais fácil que o cenário
Negro e putrefacto que vingava no quarto.
As ideias derretiam-se ao invés e contrário
Daquilo que alguma vez foram de facto!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Poema CCI - Sou eu que venho do mundo
Sou eu que venho do mundo
Onde a vida salta à corda
E os sonhos se mordem à fome
Em lençóis nos quais confundo
– E o sentir faz com que morda –
A euforia que agora some.
Sou eu que venho do mundo
Onde os rios correm para trás
Das serras feitas de algodão:
Quadros que pinto num segundo
Com pincéis feitos de gás
Sulfato e abstracta perfeição.
Sou eu que venho do mundo
Onde as cidades se destroem
Por entre florestas de segredo
Cheias de fadas que fecundo
Com as palavras que corroem
A coragem e o próprio medo.
Sou eu que venho do mundo
Já acabado em artística obra;
Procriação em peça de museu.
Um aquário onde me afundo,
Envolto em veneno de cobra,
Amniótico líquido onde nasceu
O mundo de onde eu venho,
Crescido na vida do meu inverso.
Onde nem mesmo a consciência
Se cruza nas rectas que desenho
Ao longo de cada estrofe ou verso
Que emano da minha existência!
Bruno Torrão
01 Jun. 07
Onde a vida salta à corda
E os sonhos se mordem à fome
Em lençóis nos quais confundo
– E o sentir faz com que morda –
A euforia que agora some.
Sou eu que venho do mundo
Onde os rios correm para trás
Das serras feitas de algodão:
Quadros que pinto num segundo
Com pincéis feitos de gás
Sulfato e abstracta perfeição.
Sou eu que venho do mundo
Onde as cidades se destroem
Por entre florestas de segredo
Cheias de fadas que fecundo
Com as palavras que corroem
A coragem e o próprio medo.
Sou eu que venho do mundo
Já acabado em artística obra;
Procriação em peça de museu.
Um aquário onde me afundo,
Envolto em veneno de cobra,
Amniótico líquido onde nasceu
O mundo de onde eu venho,
Crescido na vida do meu inverso.
Onde nem mesmo a consciência
Se cruza nas rectas que desenho
Ao longo de cada estrofe ou verso
Que emano da minha existência!
Bruno Torrão
01 Jun. 07
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Poema CC - Vontade
É a voraz vontade de escrever
A intra-força fome de escrita
De ter sentido à morte e morrer
E mais perder o pio e sono
Por não ter tido palavra dita
E adormecer a alma sem dono.
Bruno Torrão
28 Mai. 07
A intra-força fome de escrita
De ter sentido à morte e morrer
E mais perder o pio e sono
Por não ter tido palavra dita
E adormecer a alma sem dono.
Bruno Torrão
28 Mai. 07
sábado, 2 de abril de 2011
Poema CXCIX - Erva
Já deixo crescer erva cinza-opaca
Nos meus jardins da razão.
Não que seja débil ou fraca.
Apenas porque não cresce do chão!
Deixo-a descer dos céus carmim
Até me cobrir o corpo todo.
Esta erva já não vem de mim!
Cheira a estrume, merda e lodo!
Ainda que venha verde fresquinha
E a prometer aroma-humidade,
A que vem dos céus não é minha,
Mas é da minha sociedade!
Bruno Torrão
17 Mai. 07
Nos meus jardins da razão.
Não que seja débil ou fraca.
Apenas porque não cresce do chão!
Deixo-a descer dos céus carmim
Até me cobrir o corpo todo.
Esta erva já não vem de mim!
Cheira a estrume, merda e lodo!
Ainda que venha verde fresquinha
E a prometer aroma-humidade,
A que vem dos céus não é minha,
Mas é da minha sociedade!
Bruno Torrão
17 Mai. 07
domingo, 20 de março de 2011
Poema CXCVIII - Chão
Rabisco uma linha por toda a pele
Pulsada em força e de traço grosso
Como se escrevesse as dores em papel
E as apertasse pujantes ao pescoço.
Cresce-me a falta de ar e agonizo
Os gritos de sofrimento e ansiedade.
A pele já sangra o chão que piso
E beijo em desprezo. Já sem vontade...
Desfio agora a linha que desenhei
Com mais força com que as traço.
Julguei-me fraco e já mal notei
Se era meu ou da morte o abraço
Que me apertava contra o chão.
Deixei-me descansar naquele lugar
Enquanto o tempo vagava a solidão
Que eu próprio quis desenhar.
Bruno Torrão
15 Mai. 07
Pulsada em força e de traço grosso
Como se escrevesse as dores em papel
E as apertasse pujantes ao pescoço.
Cresce-me a falta de ar e agonizo
Os gritos de sofrimento e ansiedade.
A pele já sangra o chão que piso
E beijo em desprezo. Já sem vontade...
Desfio agora a linha que desenhei
Com mais força com que as traço.
Julguei-me fraco e já mal notei
Se era meu ou da morte o abraço
Que me apertava contra o chão.
Deixei-me descansar naquele lugar
Enquanto o tempo vagava a solidão
Que eu próprio quis desenhar.
Bruno Torrão
15 Mai. 07
quinta-feira, 10 de março de 2011
Poema CXCVII - Cigarro
Chega de sabor a cigarro de amargo lume bel
Que queimo e agarro e aperto contra a pele
Com a ponta da caneta com que tatuo na alma
O perfil da tua silhueta que corri palma a palma,
Dedo a dedo,
Beijo a beijo...
E passo, a passo, o medo de perto
Onde acerto no desejo da memória que acarreto
No meu ínfimo sentir a tua breve recordação.
E eu que julguei sentir que o tempo voltaria e não,
Não soube como voltar...
Apenas não soube como procurar um caminho certo
Que nos levasse de novo ao sabor suave
Do cigarro que fumávamos em união.
Fique apenas o aroma dos momentos ponteiros
Que tic-tavam a melodia dos nossos corações,
Certeiros,
Que só não acertaram no contratempo.
B. Torrão e M. Palma
07 Mai. 07
Que queimo e agarro e aperto contra a pele
Com a ponta da caneta com que tatuo na alma
O perfil da tua silhueta que corri palma a palma,
Dedo a dedo,
Beijo a beijo...
E passo, a passo, o medo de perto
Onde acerto no desejo da memória que acarreto
No meu ínfimo sentir a tua breve recordação.
E eu que julguei sentir que o tempo voltaria e não,
Não soube como voltar...
Apenas não soube como procurar um caminho certo
Que nos levasse de novo ao sabor suave
Do cigarro que fumávamos em união.
Fique apenas o aroma dos momentos ponteiros
Que tic-tavam a melodia dos nossos corações,
Certeiros,
Que só não acertaram no contratempo.
B. Torrão e M. Palma
07 Mai. 07
terça-feira, 1 de março de 2011
Poema CXCVI - Narcisismo
Sirvo ao mundo como estou.
Pleno duma supra-raiva interior
Onde rasgo a carne e sou
Canibal do meu próprio amor.
Onde me consumo a cada segundo
Em compulsivos desejos carnais.
Onde afogo em sangue profundo
Que oxigeno nas veias arteriais
A paixão de um ser narciso
- Se morrer por mim, aprovo! -
Por saber que de ti já não preciso
Para suportar um mundo novo
Sem a tua presença – inconstante!
Prefiro até que me apeles à lembrança
Como tens feito em cada instante
Na minha memória que já cansa
Em te ter em constante murmurinho.
Toca-me agora, somente, se te peço
Para que me sinta só e, sozinho,
Me embrenhe na solidão que teço.
Bruno Torrão
01 Mai. 07
Pleno duma supra-raiva interior
Onde rasgo a carne e sou
Canibal do meu próprio amor.
Onde me consumo a cada segundo
Em compulsivos desejos carnais.
Onde afogo em sangue profundo
Que oxigeno nas veias arteriais
A paixão de um ser narciso
- Se morrer por mim, aprovo! -
Por saber que de ti já não preciso
Para suportar um mundo novo
Sem a tua presença – inconstante!
Prefiro até que me apeles à lembrança
Como tens feito em cada instante
Na minha memória que já cansa
Em te ter em constante murmurinho.
Toca-me agora, somente, se te peço
Para que me sinta só e, sozinho,
Me embrenhe na solidão que teço.
Bruno Torrão
01 Mai. 07
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