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Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Passatempo Viajantes

Hoje, em forma de comemoração do dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas e por ser o mês de Junho - o mês das Festas da Cidade de Lisboa - o qual o Signo das Letras se faz mergulhar numa viagem pelo livro que se declara uma viagem pela cidade, o Viajantes, o blog decidiu também presentear os seu leitores!

Como é sabido, até ao final do mês, vários poemas vão sendo publicados aqui e simulando a ideia do livro, onde a poesia e a fotografia se unem numa declaração de amores à cidade de Ulisses, alguns poemas terão fotos a acompanhar!

O que perguntamos: És capaz de tornar um poema numa imagem?
O que se ganha? Um exemplar do Viajantes (1ªedição), numerado e autografado!O que se tem de fazer? Ilustrar, por forma de fotografia, qualquer um dos poemas que tenha sido publicado no blog!
O tema, já sabem, será Lisboa como pano de fundo para o poema a que querem dar imagem!

A data limite de recepção dos vossos trabalhos será até 31 de Agosto de 2015 onde, para além da(s) fotografia(s), deverá ser indicado o poema que estão a ilustrar, junto com os vossos dados pessoais (nome, idade e morada para eventual envio do prémio).
O resultado será anunciado a 21 de Setembro de 2015, data em que o Viajantes completará um ano!

O envio da fotos e quaisquer dúvidas sobre o passatempo deverão ser efectuados por e-mail para signodasletras@gmail.com.

Mais novidades poderão surgir! Basta que fiques com atenção!
Agora, soltem esses flash's!

terça-feira, 9 de junho de 2015

Poema Viajantes VI - Inverso

Parque dos Moinhos de Sant'Ana

Inverso

Com o tempo que te espero, que te aguardo,
Sentado à beira deste rio que corre inverso,
Junta-o todo, e num caixão selado,
Escreve-me um poema desfeito em verso

E desfaz-me o corpo em sedução
E seduz-me a alma em perfeição descabida.
Esquece o tempo e faz-me refrão
Numa canção de nós nascida.

Não percas tempo e canta-a sem razão!
Talvez consigas ainda criar mudança
Ao curso que o rio, até então,
Sem fim previsto, não se cansa

De correr contra nós e contra si
E leva as vidas atrás das ondas!
Traz sal do mar e algas para aqui,
Para que nele pelo meio te escondas.

Bruno Torrão

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Poema Viajantes V - Amor de uma só hora (esquecimento)

Amor de uma só hora (esquecimento)

E como se nunca nos houvéssemos cruzado
Rasgamos o caminho – cada um o seu –
Como dois pêndulos num relógio parado
Certeiros de que no tempo nada aconteceu,

Nada permanecerá num passado que houver,
Nem mesmo um tempo perdido que seja.
Recordaremos em branco se o que vier
À memória realmente preveja

A lembrança de algum momento vivido.
Meu amor de uma só hora, esquece!
Tudo do que nada que tenha acontecido
Dever-te-á marcar do que no futuro acontece

E tu, amor que foste de uma hora só,
Não mais te recordarás dessa hora gasta
A amar uma hora que se fez de si pó,
Que até a memória no esquecimento se desgasta.

Bruno Torrão

domingo, 7 de junho de 2015

Poema Viajantes IV - Terapia do Sal

Terapia do Sal

Olha, meu amor, tão grande que é o mar
E tão curto o espaço que entre nós vagueia
Se eu fosse o mar, meu amor sentado na areia,
Sempre quereria que fosses a areia para te beijar

E sempre viria, meu amor, em vagas e marés
Trazer-te à terra em suaves ondulações,
Temperar-te com o meu sal, salgar-te os pés,
Para sentir toda a doçura dos nossos corações

E sempre viria molhar-te o corpo, meu amor,
Para te arrancar esse sorriso resplandecente
Como de quem se ri, com todo o esplendor,
Na praia, feliz, em meados dum dia quente.

E somos nós à tona, amor, puros beijos dados
Por entre a espuma das ondas que nos amarrotam.
Somos a terapia do sal, olhares adocicados,
Sentidos cerrados que dos corpos nos brotam.

Bruno Torrão

sábado, 6 de junho de 2015

Poema Viajantes III - Balada para a partida

Balada para a partida

E desta forma me deixo desfazer
Num baço nevoeiro, denso,
Num longo aceno, num adeus
Que permanece ainda, sem esquecer
Cada toque, o beijo suspenso
E os meus dentes batendo os teus.

A partida é breve e dolente
Lenta e quase corrosiva.
Desfaço o peito de repente
Rasgado com a força depressiva

Que em mim cresce no momento!
Ardo vagarosamente num lume bravo
Consumido por crepitações carmim…
Se não me regresso, ou tento,
E se p’la saudade torno escravo,
Jamais me encontrarei em mim!

Bruno Torrão

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Poema Viajantes II - Tema para um malmequer defolhado

Tema para um malmequer desfolhado

Há sob o céu desta cidade
Um lume brando ainda em chama
Em fumo ocre lança saudade
E no meu corpo tudo se inflama
Dos pés às mãos sou claridade
No peito ardo como quem ama
Trago na vista a imensidade
E o sentimento de quem se engana
Ardo pela vida em liberdade
Que te quer bem
E a mim também.

Somos dois olhos de criança
Sem cor à vista pela manhã
Da transparência que aqui dança
Somos da cor duma romã
Aberta ao sol vermelho-cansa
Unidos numa ideia vã
“Quem une é o tempo e a esperança
“A quem tratámos por irmã”
Somos um malmequer que aqui balança
Que me quer bem
E a ti também.

Bruno Torrão

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Viajantes - Vídeo Promocional



Para quem ainda não conhece, este foi o vídeo de promoção para angariação de fundos em crowdfunding para o lançamento do livro, onde são apresentadas todas as razões para que o projecto fosse apoiado!

Surgiu um vídeo super apelativo, até mesmo em termos mais técnicos, e bem recebido entre os críticos da área!
O livro, como sabem, continua à venda no site da Livros de Ontem.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Poema Viajantes I - Proteína

Proteína

Há em cada noite um corvo que morre comigo
Enquanto que com o bico esfarripa
Todo o meu ventre em torno do umbigo
E deglute de modo prazeroso a minha tripa

E em cada noite que passa ele sacia
A fome voraz do meu ventre-proteína
E seguidamente morre indigesto quando o dia
Avança abrupto e corrompe a cortina

E em cada amanhecer choro e lamento
Por alimentar demais o pobre corvo
E até ao cair da noite me atormento
E nessa densa noite me absorvo.

Bruno Torrão

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Durante o mês de Junho vou apresentando alguns poemas presentes no livro Viajantes e, sempre que possível, apresentando algumas novidades que possam vir a surgir sobre o mesmo! Fiquem atentos, pois ainda podemos via a ter um Natal antecipado!

Não esqueçam, ainda, que o livro encontra-se em venda, na segunda edição (aumentada) através do site da editora Livros de Ontem! Basta clicar no link! ;)

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Re(re)entrée

Depois de mais de 2 anos passados, decidi voltar a pegar no Sob o Signo das Letras.

Muito se tem passado desde a última actualização, em 2012, dentro do mundo da minha poesia, que foram desde a participação em colectâneas, em sessões de declamação e, inclusivé, o lançamento de um livro.

Com o passar de todo este tempo tenho-me dedicado a re-organizar os poemas, pelo que trarei algumas novidades em breve!

Por hoje, fiquem com a informação sobre o Viajantes, o livro que editei com outro grande poeta e amigo de longa data, Daniel Costa-Lourenço e que conta com belíssimas imagens da Marta Cruz!

Livros de Ontem ©
Viajantes - Livros de Ontem©
O livro já vai na sua segunda edição (revista e aumentada) e encontra-se disponível para compra no site da editora Livros de Ontem.
É um livro que combina letras e imagens com inspiração na capital de Portugal. Recantos que são redescobertos em cada página e que nos fazem recolher à intimidade que existe entre cada um dos autores com a cidade de Lisboa.

O livro foi um sucesso de vendas, tendo chegado à 2ª edição em menos de dois meses, algo que já se previa graças à adesão ao crowdfunding que tornou o livro fisicamente possível!

Para além disso, a partir de hoje será possível receber novidades do Sob o Signo das Letras através do twitter, basta seguir @signodasletras e começar a ter todas as novidades no momento em que ainda estão fresquinhas, tal como se tem mantido no facebook!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Poema CCXXVI - Varanda


Espreita duma varanda, assomada,
Como quem espera o carteiro chegar
A horas tardias para jantar, coitada,
A minha esperança farta de esperar.

Aguarda encostada, vergada sobre a varanda
De olhos postos na estrada e na calçada,
Sem pestanejar a vista, que já anda,
Obviamente, de chorar cansada!

Assomada, vergada, cansada, volta p’ra casa,
Entristecida e já sem qualquer esperança.
Desesperada se deita no chão da casa
Que habita sozinha desde criança.

E assim se permanece no chão, estendida,
Presa ao soalho como uma pesada prensa.
O desespero deixou-a para sempre rendida
À solidão em que a esperança se condensa.

Bruno Torrão