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Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

terça-feira, 28 de julho de 2015

Crescendo de Fuga e Termo



Crescendo de Fuga e Termo

Estranhámos os corpos que vimos
À primeira vista, mal armada talvez,
Corremos em fuga, nadámos nos limos,
Fizemos da fuga o que ninguém fez!

Um caminho sem rumo e sem passado,
Possivelmente só de olho num sítio seguro,
E em busca do mesmo, de coração guardado
Entre os nossos braços fortes em forma de muro,

Deixámos que o mundo nos gastasse o que nos envolvia
E que nem sequer nós saberíamos como vez alguma proteger.
E assim, decidimos entre surdos murmúrios que de ti ainda ouvia,
Rasgar-te a pele, desfiar-te a carne, lascar-te os ossos e saber-te morrer.

Bruno Torrão

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Pro-bono do bicho



Pro-bono do bicho

Por escassos segundos cerro os olhos,
Caindo sobre mim um sono leve,
Onde, embalado por uma rede de molhos
De espinhos unidos p’la melancolia, teve
lugar um sonho, que creio, ainda inacabado.

Consumia-me um bicho, quase peludo,
Com sumo de lima amarga e cravinho,
Para me deglutir com quase tudo
O que encontrava de dia no caminho,
e que à noite mantinha guardado.

E nesses breves segundos eternos
Eu era gerado, parido e consumido,
Lambido, mastigado por bichos ternos,
Defecado por vontade e esquecido,
após dar vida a quem me consome.

E nesses breves segundos me recordo
Que, ainda que tenha sido inferiorizado,
Se não sou eu que ao bicho mordo
E consumo o seu corpo alienado,
sirvo, ao menos, para lhe matar a fome.

Bruno Torrão

domingo, 26 de julho de 2015

Estrelas Sugestivas VI

Desde 2009 que não pego nesta rubrica onde, de vez em quando, sugeria um álbum musical que me sugeria/despertava/inspirava a vontade em escrever. Muitos têm deixado essa marca mas, devido ao interregno pelo qual o blog passou, acabaram por nunca vir à tona.
Hoje, decidi quebrar esse mesmo intervalo!

Há uma semana comprei o último álbum da Márcia, artista que descobri apenas aquando do lançamento do Desfado da Ana Moura, quando quis saber quem tinha escrito o tema Até ao Verão por ter achado a letra curiosa, encontrando algumas linhas semelhantes à minha forma de escrever. Encantei-me, obviamente, com o poema - confesso - e pus-me à descoberta desta nova cantautora lusa!

Pesquisei pelo youtube, mas pouco havia sido dado a conhecer senão a música que tem em conjunto com o JP Simões (A pele que há em mim) e que se havia tornado "viral" pelas redes sociais. Procurei, então, no serviço MEO Music (antigo MusicBox) e lá estavam, os dois álbuns (há data ainda não havia editado o Casulo) que a artista já tinha lançado e, espantem-se, gostei muito, embora não o suficiente para os comprar fisicamente. Sim, eu sou daqueles que primeiro ouve (ou tenta ouvir) todo o trabalho, de modo a saber se valerá a pena pagar pelo trabalho todo, antes de gastar o dinheiro só para gastar uma ou duas faixas do disco!

Bem, o facto é que comprei o último trabalho da Márcia, o Quarto crescente porque, como devem estar a pensar "ele gostou realmente"! E gosto bastante, apesar do primeiro single, A Insatisfação - e que ouvi antes de comprar o disco - não me ter puxado muito pelo acto. Assim que o álbum ficou disponível no MEO Music (que é onde vou sempre cuscar/ouvir as novidades quando não são dispostas a pública por outros meios) fui ouvi-lo e seduziu-me o suficiente para pagar os cerca de 13EUR que gastei.

O álbum acaba por não trazer nada de novo na musicalidade desta nova estrela lisboeta mas, como para o âmago da Márcia está nas letras, acho o álbum muito completo. Uma enorme mistura de temas que vão desde o ênfase da vida à sua própria insatisfação, que a artista acaba sempre por aligeirar em que aspecto for, não fosse a sua "voz que, apesar de grossa, lhe sai sempre fina" como afirma no tema A Urgência, firmando o equilíbrio destes sentimentos.

Este trabalho está dividido em 11 faixas, uma das quais em dueto com o artista brasileiro Criolo (Linha de Ferro), que até é das minhas predilectas a par com a quarta faixa, Havia.
Em suma, é um trabalho muito fácil de se ouvir, por exemplo, ao fim da tarde, sentado à secretária e com uma folha em branco à frente - ou um processador de texto aberto, mais utilizado nos dias de hoje! Pelo menos, para mim, assim tem sido! E já teve resultados... dos bons!

Capa do álbum Quarto Crescente
 

sábado, 25 de julho de 2015

Obrigado!

O Signo das Letras acordou, hoje, com um mega-sorriso de orgulho!

Durante o dia de ontem, pela primeira vez desde a sua criação, ultrapassou as 100 visitas diárias, ajudando a colocar, desta forma, no Top10 de blogs de Arte/Cultura do directório nacional Blogs Portugal, de onde fazem parte milhares de blogs portugueses!

Estatísticas da Blogger.com (Signo das Letras)




 
Ranking do directório Blogs Portugal


Poderão ver as imagens mais pormenorizadamente, clicando em cada uma delas.

Obrigado a todos os leitores!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Alerta Passatempo

Hoje relembramos que ainda está em curso o passatempo promovido pelo Signo das Letras!

Participem com as vossas fotografias, até ao dia 31 de Agosto, e poderão ganhar um exemplar do livro Viajantes (1ª edição) entre outras surpresas!

Acedam ao regulamento através desta ligação: http://signodasletras.blogspot.pt/search/label/Passatempo

Boa sorte!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Sobre a tua fisiologia



Sobre a tua fisiologia

Digo-te eu que és tecido engomado
Num bosque estendido, ali ao vento
Que ruge forte, destemido, encorajado
A alisar-te a pele de que sou sedento.

Digo-te eu que és palavra esdrúxula
Agudizante de cada sentido morfológico
E síntese de todos os pecados, como a gula
Que me cria a fome de ti. É lógico!

Digo-te eu que não és sequer telhado
Talhado para do meu lar ser cobertura,
Mas sim estrutura e cabouco alicerçado
Sobre um chão arriscado à tremura.

E digo-te eu, sem mais disto haver fim,
Que na competência ideal tudo completas,
Como os números das horas que passas em mim
E no meu pensamento te cravas como setas!

Bruno Torrão