magnotico on-line entertainment

magnotico on-line entertainment
Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Candeias e Solidão



Candeias e Solidão

Trazia toda a luz em mim
Ganha da vida alegre que já tive.
Hoje trago lágrimas sem fim
Que cobrem meu corpo em declive.

Tudo o que guardei com certo carinho,
Estão agora, meu corpo, meu ser, minha alma,
Trincados violentamente por mim, sozinho,
Por cada canto que esquecia a calma,

Largando fogo de candeias ardentes
Em cada perna, em cada mão,
Nos meus cabelos, olhos... até aos dentes...
Para ver se matava a solidão.

Bruno Torrão

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Uno



Uno
Quem sabe, um dia esquecemos que fomos tudo.
Que fomos chuva tapada sobre um alpendre,
Que fomos beijos de língua em lábio carnudo,
Que fomos do erro um outro erro que se aprende
Um luto que hoje luto e que em mim se suspende.

Que fomos mão e mão dadas num parque da cidade.
Que fomos no parque unidos como as flores à terra,
Raízes profundas com sede de água e claridade.
Que fomos a luz que a própria noite descerra
Por entre a serra que entre nós aperta e ferra.

Que fomos braço e não braços, peito e não peitos,
Pois se fossemos dois jamais seríamos uno.
Como nas células, em mais cortes que fossem feitos,
Seríamos sempre parte de um corpo oportuno
Que tarde ou cedo cedia ao amor inoportuno.

Bruno Torrão

sábado, 1 de agosto de 2015

Teorema para o tempo



Teorema para o tempo
Se de mim e por mim nada sou senão presente
Como corpo, que estático, pensa frente ao agora,
Serei eu, em mim, o passado que influente
Deste corpo que pensa o que no futuro apavora,

Quem sou eu, se no presente é que nada passa
- Dum ínfimo segundo que já nem presente existe -
Se sou saudade e ânsia que uso em carapaça?
Sou um bicho feio que do nada se insiste!

Manias dos outros quererem dar-me suas visões
Que do passado só se reza a memória mais seus pregões
E do futuro jamais se sabe se haverá tamanha glória

E que só do presente se devem cingir opiniões
Para que nelas a vida valha mais que as acções
Se não dou conta àquilo que advém da vossa história.

Bruno Torrão