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Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Maré tona



Maré tona

Perdidas as palavras, restam os gestos
Que te fiz saber de cor a cada dia
Enquanto que nos silêncios concretos
Se espalhava nos corpos euforia.

Os caminhos secretos por entre os dedos
As estradas que fizemos em maratona
Nas noites em que ébrios enredos
Nos faziam amantes à maré tona.

Descansemos das palavras que o tom define
Se o tom sequer as define então
E deixemos que o gesto nos contamine

Como se propaga suave o balanço da maré
Num barco preso ao cais que, por arrastão,
Não mais se define pelo que é.

Bruno Torrão

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Ainda (naquela estação)



Ainda (naquela estação) 

E foi por entre a névoa quase matutina
Que fizemos por perder juntos
As roupas que, em surdina,
Nos acalmavam os corpos quase juntos.

E aos olhares, ainda discretos,
Demos o prazer sem pudor
De vislumbrar o que, ainda secretos,
Entre nós nos prendia o fulgor.

E por entre as roupas perdidas
Naquela estação em já quase alvoroço,
Nos enlaçámos como almas esquecidas
Em caminho vago, sem destino ou troço.

Bruno Torrão

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Rodeio



Rodeio

Deixa lá esse rodeio que o tempo roda já demais
Sobre si, de nós alheio, passa vidros e portais,
Passa esquinas e taipais que se tapam de soslaio
E deixam entre os demais só o tempo que lhes extraio

Se te caio, se me calhas, somos que tectos caiados
Como teias, como malhas, como bilros e bordados,
Como fendas encastrados num tempo que se escapa
Como farpas num quase quadro onde o pincel se esfarrapa.

Deixa lá esses rodeios! O tempo não espera que cruzemos
Por esses becos feios onde às voltas não nos metemos!
E assim, como por menos, voltamos ao tempo reunido,
Enquanto formos obscenos às voltas dum corpo despido!

Bruno Torrão