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quarta-feira, 14 de março de 2007

Outros V - Sophia M. B. Andersen

Espera

Dei-te a solidão do dia inteiro.
Na praia deserta, brincando com a areia,
No silêncio que apenas quebrava a maré cheia
A gritar o seu eterno insulto,
Longamente esperei que o teu vulto
Rompesse o nevoeiro.





Sempre assumi o meu fraco respeito por Sophia. Não gosto! Apenas isso...

No entanto, assim como aqueles que venero têm obras com as quais não objecto predilecção ou gosto que seja, Sophia tem uns poucos poemas com os quais digo: "Não diria, jamais, que foi ela que escreveu!".
Esta Espera, As Rosas, a Promessa, são exemplos disso mesmo.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Outros IV - Frederico Valério

Não sei por que te foste embora


Não sei por que te foste embora.
Não sei que mal te fiz, que importa,
Só sei que o dia corre e àquela hora,
Não sei por que não vens bater-me à porta.

Não sei se gostas de outra agora,
Se eu estou ou não para ti já morta.
Não sei, não sei nem me interessa,
Não me sais é da cabeça
Que não vê que eu te esqueci.
Não sei, não sei o que é isto
Já não gosto e não resisto
Não te quero e penso em ti.

Não quero este meu querer no peito,
Não quero esperar por ti nem espero.
Não quero que me queiras contrafeito,
Nem quero que tu saibas que eu te quero.

Depois de este meu querer desfeito,
Nem quero o teu amor sincero.
Não quero mais encontrar-te,
Nem ouvir-te nem falar-te,
Nem sentir o teu calor.

Porque eu não quero que vejas
Que este amor que não desejas
Só deseja o teu amor.





Escrito propositadamente para ser cantado pela Amália Rodrigues, este, é um dos meus fados predilectos...
E tanto que tenho cantado para mim... por ti...

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Outros III - José Carlos Ary dos Santos

Da minha torre de Narciso


Ao sol, ao vento, à música, levanto
Esta voz que não tenho. A Deus imponho
A obrigação de me escutar o canto
E entender o que digo e o que sonho.

A mim me desafio. Aos outros ponho
A condição de me odiarem tanto
Que não descubram nunca o que suponho
O meu secreto e decisivo encanto.

Contra o que sou me guardo e quando oiço
Falar do que pareço, posso então
Encher o peito de desprezo e riso.

Pois só eu me conheço e só eu posso
Subir até àquela solidão
Onde me incenso, amo e realizo.






Era, de todo, inadmíssivel se, depois de deixar aqui poemas da Florbela e da Amália, não vos delicia-se com um dos meus predilecto poetas. José Carlos Ary dos Santos.
O génio das mais de mil letras da música popular portuguesa, comunista e homossexual (mais que) assumido, conseguiu, apesar da repressão da época, desviar-se da voraz PIDE e da Ditadura Salazarista! Ainda há quem não o considere génio...?

domingo, 14 de janeiro de 2007

Outros II - Florbela Espanca

Fumo


Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,

Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...




Por tê-la referido no post anterior, lembrei-me de vos dar a conhecer um dos seus poemas que elejo.

Outros I - Parabéns

Parabéns,
Para males,
Para tudo... Aqui estamos!

Aqui nos tens,
Nos aniversários e "Carnavales"
Natais e fins de anos!

Para hoje e amanhã,
Seja tarde, noite ou manhã,
Madrugada ou não sei quê,

Entreposto do dia ou da vida.
Aqui estamos a fazer guarida,
E a escrever "pr'á você"

Parabéns amigão!
(by: Bruno's friends)




Há um ano atrás acordei com dozes mensagens iguais, cada uma delas com o este mesmo texto... Hoje acordei com outras tantas, diferentes entre cada uma, mas que souberam tão ou "mais bem".
É graças a vocês que continuo a gostar de fazer anos! :¨-)