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Este blog nunca se irá encontrar escrito ao abrigo do (des)Acordo Ortográfico de 1990!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Lançamento d'O Grande Livro do Corpo

O Signo das letras convida todos os seus seguidores para o lançamento d'O Grande Livro do Corpo, de Bruno Torrão e Jordi Llorella Oriol, no próximo sábado, dia 1 de Julho, às 19h00, na livraria da Fábrica de Braço de Prata em Lisboa.

A apresentação contará com a presença dos autores, de Daniel Costa-Lourenço (prefaciador) e com a declamação de alguns textos por Susana Simões.

Poderão seguir mais informações através do evento criado na página da rede facebook.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

À boca

À boca da noite a tua boca fechada
Aberta a madrugada nos chega a roupa
Que dispersa não aconchega nem afaga
Não acresce, nem apaga
Só nos aproxima e afasta
Numa nefasta dança primária
Possessa enquanto em festa
Te beijo dos pés à testa
Vértice linha corpo aresta
Que no meu corpo se protesta
E infesta
E infecta
E carrega
Não sossega ao meu corpo subtil
Reluzente de suor anil
Anis amargo ácido plácido
Ao teu palácio entrego em perfil
Minha bruta seiva viril

À boca do dia tua boca aberta
Desperta dispersa e com pressa
Se prensa ao meu incógnito pudor
Em tempo algum conhecedor
Dessa tua confessa promessa
Em me fazer senhor
Das terras que lavro sem cuidados
Meus ínfimos nobres sagrados arados
Que desbravam teu corpo
Torto híper-vivo quase morto
Sem noção quase de como o temos
Como os tempos correram
Como nos corremos
Como nos comemos
Consumimos
Assumimos
E sumimos.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Grande novidade!

O meu próximo projecto, em mente há já alguns anos, começa agora a ver a possibilidade de se vir a tornar físico!
O Grande Livro do Corpo já se encontra em promoção para crowdfunding, na plataforma PPL.

Este livro reúne poesia da minha autoria e fotografia do catalão e amigo Jordi Llorella Oriol,

É "(...) um compêndio do descobrimento das superfícies do mundo, do corpo universal. Um mapa colorido de ventos, monstros e serpentes, de aventureiros seguindo as estrelas e perdendo-se nos mares, cidades e povos imaginados." como descreve Daniel Costa-Lourenço, no prefácio.

O livro encontra-se em financiamento público onde, a quem o apoiar, será oferecida uma ou várias recompensas, estando estas disponíveis a consulta na ligação externa acessível clicando na imagem abaixo.

Apoie este projecto e garanta um exemplar único e com acesso a desconto superior a 10% do PVP, assim como a outras regalias.


terça-feira, 7 de março de 2017

Praias de ontem

Volta e meia desapareço e ao regresso
O mundo já se dispersa num caos profundo
As linhas que eram rectas circulam desvaídas
Por entre espaços do tempo que meço
Ao avesso do que foi cada segundo
Que perdi entre todas essas minhas idas

Ao descuido de quem a mim cuidara a vida
Perdida nos ponteiros incertos das redondas
E eternas reciclagens das vidas de outrem.
Redijo-me em palavras sem pretensão sabida
E os que as lêem regressam em ásperas ondas
Como as que bateram as praias de ontem

Ao amanhecer do que o futuro pudesse criar.
E eu, de chegada, esbatia nas areias finas
Sem saber se as encontro suaves ou quase gesso,
Se pelo suor que provoquei ao me procurar,
Se da tristeza gerara lágrimas alcalinas.
Daí, volta e meia, regresso e desapareço.


Bruno Torrão

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Plano

Talvez se na infância quisesse
Nunca ter sonhado o que fosse futuro
Hoje seria outra pessoa que houvesse
Sonhado outra coisa pelo seguro.

Redimi-me sempre a sonhar cada dia
O que do amanhã pudesse planear
Que aos tombos, se não cumpria,
Preferiria agora jamais planear.

Que o que em criança não sou
Hoje e por saber que não serei
Amanhã terei outra diferente ideia!

Planos não tenho pois por onde vou
Decido na hora perante o que pensei.

Na hora exacta tudo se planeia.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Experiência! 1... 2... 3!

Convite aceite.

Vamos lá experimentar as funcionalidades da swonkie.

Do pouco que vi, parece interessante e, como os olhos são sempre os primeiros a comer... Mais tarde voltarei para ver e dar-vos a conhecer os resultados. :)


domingo, 2 de outubro de 2016

Setembro

Ali onde se pôs o sol em Setembro
Deixámos que tudo permanecesse imutável.
Cada um dos nossos sorrisos desmembro
Da recordação desse dia memorável
E desfaço da memória tudo o que lembro
O que trouxe o rubro Outubro,

Outono vermelho, ainda seco, onde sequei
Tudo o que restava de nós na cama.
Foi mudado o enxoval que para nós comprei
De toda a casa que agora se inflama
E aos poucos se arde.

Ardemos agora como ardia a tarde
Em que tornámos memorável Setembro.
Tão tarde ardo eu também, que mal me lembro.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Reconstruo

Sento frente ao tempo e, com os dentes,
Desfio-me da pele que me prende ao espaço
Em que o meu corpo, por entre torrentes,
Se desflora como flores presas ao regaço

Duma imaculada virgem ainda estimada em feto.
Solto vagarosamente cada célula ainda viva
Presa à carne putrefacta onde injecto
A neura, químico fluido da cabeça-ogiva,

Ponto de partida para a loucura que me afecta.
Presa aos dentes vem a pele e, vermelha ainda,
A carne-raiva que se solta que nem veloz seta,
Preste a atingir quem neste espaço se finda.

Já desfeito do corpo e do tempo agora liberto,
Volto a ser intuito de um embrião futuro
Que, por mais que desvenda que seja incerto,
Nada me fará perder tempo, mesmo inseguro.

Quando do nada me reconstruo e me lanço
Todo o progresso é sinal duma grã vitória,
Ainda que seja bamba a corda onde balanço
Não há trapézio que não me sustenta a glória.

E volto aos poucos ao regaço de virgem feto
Onde pousei as minhas pétalas de pele.
Sou agora construído em forte concreto
E imaculado como uma nova folha de papel.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Canal

Passo a vida a viajar dentro do nada.
A cada dia que passa menos desconheço
O que entre o que era e sou na estrada
Da vida é tudo menos começo.

Sou moribundo nas coisas que tenho
E naquilo que não possuo sou reflexo.
Do que sempre quis ser em tamanho
Ou forma disforme em que me convexo

Faço bagagem e trago-a para perto.
Se nesta bagagem trago uma rama despida
Daquilo a que ninguém presta afecto,
Desfaço-me do resto e presto-lhe a vida.

É então que planto num canteiro isolado
Daqueles que ao mundo só cinza deram,
E germino as ramas que tenho coleccionado
Entre as mais amargas viagens que eram

Somente estragos do meu ser inconsciente.
Se as ramas não dão folhas, não culpo a terra,
Antes o ar que mais é feito de toda a gente
Que ao redor do que se isola se encerra.

É, então, que desce como pano de fundo
Já humedecido e fértil de orvalho matinal
E das águas que movi, pensando no mundo,
E defino como inútil o esforço de ser canal

Por onde correm águas soltas e despertas.
Se antes quis que fossem turbilhões de revolta,
Hoje apenas as amanso por valas abertas
Sem que recordem do caminho de volta.

sábado, 26 de março de 2016

Prata


Chego aqui de veias soltas e desvendo
Que o tempo já partira sem permissão.
Neste espelho onde eu-reflexo me suspendo
Em tempo e espaço que trago num corpo vão,

Sossego os ânimos que trazia, então,
Por rever que o espelho é o que eu entendo
Do todo que à minha volta é solução,
Quebrada pela questão que, não querendo,

Lanço em forças à ideia de descrente.
E da persistência por resposta nata,
Quebro o espelho de energia corrente

E desfaço os cacos e retiro a prata
Como quem o faz em modo inconsciente.
Do futuro vejo que trago o presente.